Varejo de móveis segue pressionado, porém maio reforça estabilização
Vendas caem 3,7% e receita nominal recua 1,3% até maio, refletindo demanda enfraquecida

Os números divulgados pelo IBGE para o comércio varejista confirmam que 2026 continua sendo um ano de recuperação lenta para o mercado de móveis. Entre janeiro e maio, tanto o volume vendido quanto a receita nominal permaneceram em trajetória negativa, embora os resultados mais recentes indiquem perda de intensidade nas quedas.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o volume de vendas de móveis caiu 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. A receita nominal recuou 1,3%, mostrando que, além da demanda enfraquecida, o setor continua encontrando dificuldades para elevar preços na mesma velocidade da inflação.
A diferença entre os dois indicadores merece atenção. Enquanto o volume vendido apresenta retração mais acentuada, a receita cai menos, sinalizando que parte da perda física vem sendo compensada por reajustes pontuais de preços e pela venda de produtos de maior valor agregado.
Ano começou difícil
Os primeiros meses concentraram as maiores perdas.
Em janeiro, o volume vendido caiu 2,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Fevereiro aprofundou esse movimento, registrando retração de 9,4%, o pior desempenho do período analisado.
A partir de março, entretanto, observa-se uma melhora gradual. A queda praticamente desapareceu naquele mês (-0,2%), voltou a perder força em abril (-3,4%) e permaneceu relativamente estável em maio (-2,8%).
Embora o resultado ainda seja negativo, o comportamento dos últimos meses sugere que o mercado pode estar encontrando um ponto de estabilização.
Leia: Produção de móveis reduz perdas, mas reação perde força após março
Receita mostra maior resistência
O comportamento da receita nominal também revela uma dinâmica interessante.
Janeiro ficou praticamente estável (-0,1%), fevereiro apresentou queda mais forte (-7,3%), enquanto março registrou crescimento de 2,4%, o único resultado positivo do ano até agora.
Em abril (-1,3%) e maio (-0,5%), as perdas voltaram a ser modestas, indicando que o varejo conseguiu preservar parte do faturamento mesmo diante da redução no volume comercializado.
Essa diferença entre receita e quantidade vendida reforça que a competição continua intensa, mas também mostra que o setor começa, ainda que lentamente, a recuperar capacidade de recomposição de preços.
Consumidor continua seletivo
Os dados refletem um consumidor ainda bastante cauteloso. Juros elevados, crédito restrito e maior planejamento das compras continuam limitando o desempenho do varejo de móveis.
Ao mesmo tempo, cresce a preferência por produtos com maior durabilidade, melhor relação custo-benefício e maior valor percebido, movimento observado em diversas pesquisas de comportamento do consumidor ao longo deste ano.
Para os lojistas, isso significa que promoções isoladas já não são suficientes para estimular a demanda. Atendimento qualificado, experiência de compra, diferenciação de produtos e condições de financiamento tornam-se fatores cada vez mais importantes.
Segundo semestre inspira cautela, mas também expectativa
Apesar do acumulado negativo, o desempenho dos últimos meses reduz parte do pessimismo observado no início do ano.
A desaceleração das quedas, somada à expectativa de melhora do consumo no segundo semestre, pode favorecer uma recuperação gradual do setor. Historicamente, o período entre agosto e dezembro concentra datas importantes para o varejo e costuma registrar maior movimentação nas vendas de móveis.
Ainda é cedo para falar em retomada consistente. No entanto, os indicadores mostram que o mercado parece estar deixando para trás a fase mais aguda das perdas e entrando em um momento de maior estabilidade, no qual eficiência operacional, gestão de estoques e agregação de valor continuarão sendo determinantes para o desempenho das empresas.

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