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Projeto da Amazônia faz parceria com designers de luxo

A Cooperativa Mista do Tapajós (Coomflona), sediada em Santarém (PA), é especializada em manejo florestal, que é a administração de recursos da floresta para obtenção de benefícios econômicos e sociais. Recentemente, eles passaram a projetar, confeccionar e vender móveis de fabricação própria para grandes designers brasileiros de luxo do eixo Rio-São Paulo. Cerca de 400 famílias da região são beneficiadas direta ou indiretamente pela atividade.

O Projeto Design & Madeira Sustentável começou em 2017, por meio de uma iniciativa da BVRio, com doações das instituições internacionais Climate and Land Use Alliance (CLUA) e Good Energies Foundation. A primeira fase teve R$ 600 mil de aporte e a segunda, R$ 500 mil. O objetivo é fomentar o uso e consumo da madeira legal e certificada de manejo comunitário.

Dificuldade de produção

Nos primeiros contatos, a BVRio identificou que o manejo florestal comunitário, bem como o manejo comercial tradicional, gera uma grande quantidade de resíduos em seu processo de exploração. Esse material não poderia ser comercializado – viraria, no máximo, lenha, de acordo com o coordenador do projeto na BVRio, Renato Castro.

A Coomflona utilizava esses resíduos na movelaria Anambé, no Sul do Pará. No entanto, havia uma desconexão significativa entre a capacidade produtiva e o mercado consumidor.
Na primeira fase do programa, a BVRio convidou dez designers brasileiros engajados socialmente, como a Attom, para mostrar técnicas de produção por meio de workshops. 

O objetivo é ensinar a cooperativa a utilizar a madeira para desenvolver móveis de primeira linha. “Eles não tinham refinamento para a confecção de móveis. Levamos designers do Rio de Janeiro e de São Paulo, com veia sustentável, para ensinar o DNA de cada produto até o acabamento”, explica Castro. Os designers não precisam, necessariamente, comprar os materiais desenvolvidos pela cooperativa, mas muitos o fazem.

A primeira etapa foi finalizada com a exposição dos móveis na MADE- Mercado Arte Design, em São Paulo, no último mês de agosto.

Impacto social

A iniciativa tem gerado alguns frutos, de acordo com a BVRio. Entre eles está a inserção no mercado de trabalho, o combate ao uso de madeira ilegal, a geração de emprego e renda na região e o combate ao uso de mão de obra escrava. O projeto tem fins lucrativos, mas não divulga seu faturamento.

“Em 19 meses de projeto, já chegamos em duas mil peças feitas com resíduo de madeira certificada. Cerca de 80% do faturamento atual deles vêm de negócios feitos com os designers”, explica. A BVRio diz que até sugere estratégias, mas não tem participação comercial no projeto.

Intercâmbio

Na segunda fase, que vai até junho de 2020, o plano é trazer as pessoas da cooperativa para uma imersão no mercado de luxo de São Paulo. Neste momento, duas empreendedoras e designers da capital paulista, Etel Carmona e Lissa Carmona, já estão na Floresta do Tapajós treinando os cooperados.

(Com informações do site Pequenas Empresas e Grandes Negócios)

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