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Artista pernambucano lança coleção de móveis “Açúcar”

O designer e artista plástico, Ramsés Marçal, é um pernambucano que vive na ponte-aérea Recife-São Paulo. À frente da Fogo Design, ele buscou inspiração nas plantações de cana de seu estado, na cultura de engenho e se valeu de trechos dos livros “A Escola das Facas”, de João Cabral de Melo Neto, e “Casa Grande Senzala”, de Gilberto Freyre, para criar uma linha de móveis que traduz e revela um pouco do Nordeste em madeira Tauari, palha e formas arredondadas. Um sopro doce no ar frenético da capital paulista. A linha, batizada de “Açúcar”, ficou exposta durante uma semana na sobreloja do Copanzinho (SP) e segue atraindo olhares nas redes sociais.

“Voz sem saliva da cigarra do papel seco que se amassa de quando se dobra o jornal: assim canta o canavial ao vento que por suas folhas, de navalha a navalha, soa, vento que o dia e a noite toda folheia, e nele se esfola”. Foi o poema “Canavial”, de João Cabral, que apresentou a exposição ao público. Um convite e um aviso: seja bem-vindo e fique atento. Para quem é da região, ao passo que foi um afago na alma, também foi ponto de reflexão. O artista extraiu de um passado duro a doçura. Para quem não é do Nordeste, uma introdução quase que sensorial. Uma breve excursão pela Zona da Mata Norte, em especial ao Engenho Massangana, foi suficiente para reativar lembranças e evocar respeitos, indispensáveis ao processo criativo.

A mostra estava situada na programação do Desenho 1, que agita São Paulo com sua efervescência de ideias voltadas para design. “É um projeto meu com amigos. Já participaram os Irmãos Campana e outros nomes do design. A gente montou para mostrar conceito. Nem tudo é para comprar”, explica.

 

Açúcar

A coleção é formada por relógios, espelhos, armário, estantes, banquetas. Tudo à venda. Algumas, inclusive, disponíveis para pronta entrega. “São móveis pequenos”, define Marçal. Ou seja: cabem e combinam em/com quase tudo. O sucesso absoluto da exposição tem definido os próximos passos. Algumas empresas têm procurado Ramsés para parcerias e a possível produção em larga escala.

Para a montagem de “Açúcar”, Ramsés contou com o talento de outros pernambucanos, a exemplo de Andréa Tom, que assinou a produção da mostra. Ainda na ficha técnica, a fotógrafa Analu e o diretor de arte André Bueno.

 

História

Ramsés tem 43 anos, é recifense. Estudou artes plásticas na Florence Academy, em Florença, e desenho industrial da Faculdade de Belas Artes de São Paulo, onde viveu por 15 anos. Em 2018, fez duas exposições no Recife. “ContraPeso”, na Galeria Amparo 60, e “Bursa”, no Mercado Capitão.

 (Com informações da Folha de Pernambuco)

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