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Miron Soares segue transitando entre a moda e o mobiliário

Você já imaginou como seria o mundo sem a moda? É bem estranho pensar, porque mesmo que alguns achem que a moda (pelo menos no vestuário) é coisa supérflua, ela está muito mais presente nas nossas vidas e influenciando nossos comportamentos do que imaginamos. Em uma rápida conversa com o mineiro Miron Soares já dá para entender bem o que isso quer dizer. O “filho do polo moveleiro de Ubá” já transitou por diversas áreas do design, se lançando para o mundo profissional como um estilista, já que esse era o termo mais usado e conhecido do brasileiro, porque designer só passou a ser designer há pouco tempo, mesmo com figuras célebres atuando no Brasil no desenvolvimento de produtos há muitos anos.

Natural de Ubá, Miron Soares conta que muito cedo sabia que seguiria uma carreira relacionada à arte. “Desenho desde criança, sabia que no futuro faria algo relacionado à arte, ao desenho, à criação, mas não sabia exatamente o que, por isso, deixei o destino me levar”. E foi deixando a vida levá-lo, mas nesse caso, com um empurrãozinho do padrinho, Miron se viu fazendo uma entrevista de emprego para trabalhar em uma indústria de moda da região, ainda sem ter concluído a faculdade. Nessa época, o jovem estava cursando Artes Plásticas na Universidade Federal de Juiz de Fora e imaginava começar sua jornada artística em uma cidade grande, como São Paulo. Mas, como há quem acredite que nada acontece por acaso, lá estava Miron de volta à Ubá.

Sua empreitada como estilista o levou longe, o designer conta que a empresa para a qual trabalhou por muitos anos foi uma grande escola. “Pelo meu trabalho pude visitar várias feiras de moda do mundo todo, fazer cursos extracurriculares, como o que fiz na renomada escola de moda de Marie Rucki, diretora do Studio Berçot, em 1985, durante minha passagem por Paris”, conta.

E qual a relação das roupas com o trabalho atual de designer de móveis? Miron explica que o estudo da modelagem industrial, estamparia, tecelagem e a participação em vários concursos de moda, permitiram que ele adquirisse o conhecimento necessário para desenvolver estofados. “Criei a minha própria marca de roupas na década de 90, a Agnus Dei, e permaneci quase 20 anos focado no mercado da moda quando, de repente, me vi querendo desenhar outros tipos de produto. Foi aí que fundei, em 2001, o estúdio Miron e abri meus horizontes, ampliando minhas áreas de atuação, já que eu queria desenhar várias coisas, iniciando parcerias na área acadêmica, de têxteis, moda, cama e mesa”. Tá bom, mas e os móveis? “O mobiliário foi a última oportunidade que visualizei como possibilidade de seguir carreira. Fiz um curso de especialização na Universidade Federal de Viçosa e lecionei sobre design de produtos no período em que o design estava começando a ser valorizado no Brasil”, explica Miron.

E como toda boa história tem seu ponto de virada, Miron notou que uma empresa importante do polo de Ubá estava contratando designers vindos de Belo Horizonte para desenhar seus móveis e aí “ofereci meus serviços como consultor”, relembra o mineiro. Pronto, o primeiro passo no mercado moveleiro havia sido dado. “Queria ser um profissional independente, o que ainda não era comum no nosso País. Comecei a formar parcerias e levar informações das mais diversas feiras mundiais para a minha região. Fui comendo pelas beiradas e apresentando tendências para o pessoal de Ubá, que não tinha o mesmo conhecimento e repertório dos polos moveleiros do Sul. E aí estava uma demanda que precisava ser atendida”, lembra.

Ainda hoje Miron dedica cerca de 90% do seu tempo aos móveis. Desenha atualmente para cinco empresas mineiras, a Rondomóveis, KR Móveis, Acquarella Estofados, Lara Móveis e Uniart. “Já trabalhei para muitas empresas, de diversos setores, porém meu foco atual está nos estofados. Para criá-los conto com várias inspirações e costumo dizer que as boas e certas informações são nossos bens mais preciosos. O trabalho de pesquisa é o começo de tudo. Buscamos referências nas artes, na arquitetura, na história, na natureza, no comportamento das pessoas e da sociedade, nas redes sociais, nos mestres do design e no próprio chão de fábrica”, discorre quando perguntado sobre o seu processo de criação.

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