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Tarifaço dos EUA derruba exportações florestais do PR

Revisado Natalia Concentino - 25 de Março 2026
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Imagem: Freepik

As exportações do setor florestal do Paraná sentiram com força os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos em 2025. O impacto foi direto sobre segmentos altamente dependentes do mercado norte-americano, provocando retração nas vendas externas, perda de receita e reflexos no emprego.

 

Dados da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) mostram que o estado exportou US$ 2,3 bilhões em produtos florestais em 2025, queda de cerca de 9% em relação aos US$ 2,5 bilhões registrados no ano anterior – um recuo de aproximadamente US$ 226 milhões.

 

Dependência dos EUA expõe fragilidade

 

Os segmentos mais afetados foram justamente aqueles com maior concentração de exportações para os Estados Unidos.

 

É o caso das molduras, que destinaram 98% das vendas ao mercado norte-americano e registraram queda de 61%, passando de US$ 241 milhões em 2024 para US$ 150 milhões em 2025.

 

Situação semelhante ocorreu com portas de madeira, com 95% das exportações voltadas aos EUA. O segmento recuou 55%, saindo de US$ 88 milhões para US$ 57 milhões no período.

 

O movimento evidencia um ponto crítico: a alta concentração de mercado amplia a vulnerabilidade do setor diante de mudanças externas.

 

Impacto vai além das exportações

 

Os efeitos do tarifaço não ficaram restritos aos números da balança comercial. Segundo o setor, cerca de 10 mil empregos foram afetados ao longo de 2025, especialmente no segundo semestre.

 

“O ambiente de negócios mantém-se turbulento, e as empresas precisam rever estratégias e buscar alternativas”, aponta a liderança da APRE Florestas.

 

Outros segmentos também recuam

 

Além de molduras e portas, outros produtos registraram queda, influenciados tanto pelo cenário externo quanto pelo aumento da oferta global e pressão sobre preços.

 

  • Biomassa florestal: -38% 
  • Compensado de pinus: -13% 
  • Celulose: -11% 

 

Na contramão, poucos segmentos conseguiram crescer:

 

  • Serrado de folhosas: +21,4% 
  • Móveis de madeira: +11% 
  • Papel: +2,2% 

Participação recua, mas base segue forte

 

A participação do Paraná nas exportações florestais brasileiras caiu de 15% para 14,5% em 2025 . Ainda assim, o estado mantém relevância estratégica, com forte presença em produtos como compensado de pinus e molduras.

 

No segmento de papel, houve avanço, com a participação subindo de 33% para 35%.

 

leia: Tarifaço encolhe as exportações de móveis e gera déficit em 2025

 

2026: ano de cautela e reposicionamento

 

A expectativa do setor para 2026 é de cautela. Mais do que recuperar volume, o momento exige revisão de estratégia, portfólio e mercados.

 

O cenário reforça a necessidade de diversificação e de fortalecimento da competitividade em um ambiente global cada vez mais volátil.

 

Leitura do setor

 

O tarifaço expôs uma fragilidade conhecida, mas pouco enfrentada: a dependência excessiva de um único mercado. Mais do que uma crise pontual, o movimento funciona como alerta.

 

Diversificar deixou de ser estratégia de crescimento. Passou a ser condição de sobrevivência.

 

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