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Aço para mola de colchão dobra de preço em menos de 6 meses

A indústria brasileira que trabalha com aço, caso dos fabricantes de molejos para colchões, está refém das maiores siderúrgicas que operam no Brasil e que atendem a este mercado: Usiminas, Arcellor Mittal, CSN e Gerdau. Desde o mês de abril, no auge da pandemia, quando as empresas já lutavam para sobreviver diante de dificuldades jamais vividas em tempos modernos no mundo, os aumentos passaram a ser sucessivos. Até setembro, a alta chegou a 40%, com promessa de mais 15% para o mês de outubro. Isso apenas nas siderúrgicas, porque nos distribuidores, esse aumento, em alguns casos, já atingiu a incrível marca de 80%. É algo em torno disso o aumento no arame de aço usado para molejos de colchão. O aço se transformou no arroz das grandes indústrias.

Para algumas fontes, parece um boicote que está contando com a passividade de órgãos de controle, como o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Ele é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, componente do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, ao lado da Secretaria de Acompanhamento Econômico. Mas apesar de toda essa ligação pomposa, que levanta a bandeira da defesa da concorrência, veja como ele vê essas denúncias de abuso de poder que as maiores siderúrgicas do Brasil estão cometendo diante de uma inflação absolutamente controlada e baixa: “O Cade não realiza acompanhamento específico de preços. Cabe à autarquia apenas acompanhar o funcionamento do mercado de forma geral para prevenir, identificar e, eventualmente, punir práticas anticompetitivas. Informamos que, caso haja suspeita de eventual conduta abusiva, qualquer cidadão pode fazer uma denúncia ao Cade. As denúncias devem ser realizadas por meio de formulário disponível no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que se tornarão automaticamente um processo no sistema”.

O Brasil só libera pequenas cotas para importação do aço, ajudando a regular os preços no mercado, exatamente para dar boas condições competitivas às siderúrgicas brasileiras. Mas o dólar está trazendo a diferença do preço do aço produzido aqui e o importado para perto de zero, devido à valorização cambial. As siderúrgicas, por sua vez, estão priorizando abastecer o mercado internacional em detrimento do mercado nacional.

Na pandemia, com a queda nas vendas nacionais e internacionais, alguns altos fornos foram desligados. Mas foram religados recentemente. A demanda pelas chapas de aço está aumentando, o que demonstra a retomada da economia. Justo na hora do crescimento, depois da pandemia, da necessidade urgente de se retomar os empregos, as empresas enfrentam esta alta desenfreada de preços das siderúrgicas brasileiras, que praticamente eliminam o desejo dos empresários voltarem à normalidade. Dessa vez, estão sendo atingidos por um outro vírus letal: o “coronaaço”.

Veja: impacto da pandemia tem efeitos limitados na indústria de colchões

O dólar alto, ao que se sabe, é o grande impulsionador da explosão dos preços. Mas tudo deve ter o limite do bom senso. A Usiminas, por exemplo, nem se importa com justificativas que sejam plausíveis para explicar suas ações no mercado.  Do alto de sua arrogância, responde: “A Usiminas não comenta a sua política de preços.”  A Companhia Siderúrgica Nacional – CSN – sequer responde aos questionamentos, em sua prepotência a certeza de que nada acontecerá. A Arcellor Mittal, prometeu resposta, mas não cumpriu. A Gerdau, respondeu dizendo que: “Não comenta detalhes de sua política comercial e informa que os ajustes aplicados nos últimos meses visam a manutenção das margens da empresa, seguindo os aumentos registrados nos custos com matérias-primas. A empresa reforça, ainda, que os preços atuais do aço no mercado doméstico voltaram aos mesmos patamares vistos em meados de 2019, reflexo da recuperação dos preços médios no mercado global de aço após um período de deterioração. A companhia vê um cenário para manutenção de margens no curto prazo. A Gerdau ressalta, ainda, que é um dos nove players da indústria do aço no Brasil”.

As indústrias de molejos para colchões estão esbarrando nos altos preços do aço que impedem a retomada desse segmento, como ocorre com vários outros. Os estoques dos distribuidores terminaram julho em 828,2 mil toneladas, uma queda de 3,2% ante junho e volume suficiente para 2,4 meses de vendas. Historicamente, o nível dos estoques é baixo. O Brasil está vivendo este dilema. A indústria quer retomar as atividades, criar emprego e renda. Mas não consegue. Quando as fontes dizem que o movimento das siderúrgicas parece boicote ao governo, pelo visto, parece mesmo.

(editado com informações do petronotícias.com.br)

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