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Birigui é reconhecido como novo polo moveleiro de São Paulo

O setor moveleiro de Birigui foi reconhecido como Arranjo Produtivo Local (APL) pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. O reconhecimento só é concedido para as cidades que possuam potencial econômico em determinados setores. Este título vem a somar com outro, que Birigui mantém há décadas: o ramo calçadista. O título na prática funcionará como uma chave que abre portas. Isso possibilitará aos empresários do setor alguns benefícios, como por exemplo, o acesso a linhas de crédito, investimentos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, possibilidades de benefícios fiscais, entre outros.

De acordo com a prefeitura de Birigui, é um ganho sem precedentes, resultado de muito trabalho apesar da pandemia. “Agora, a cidade passa a contar oficialmente com dois polos vocacionais, reconhecidos pelo governo estadual, fortalecendo ainda mais o nosso setor produtivo. Isso impulsiona o desenvolvimento econômico local e regional, com atração de novos investimentos e geração de emprego e renda”, ressalta a administração municipal. Para que Birigui conseguisse o reconhecimento do APL moveleiro, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico realizou um estudo e identificou 110 empresas, a maioria microempresas, que correspondem a 82,73% do universo produtivo e que empregam 869 trabalhadores.

Com a pesquisa um projeto foi elaborado e inscrito no chamamento público aberto pelo governo estadual. “Resolvemos dar andamento nesse processo para que Birigui conseguisse esse APL. O projeto quando ficou pronto, compilou todo o potencial econômico da cidade no setor e, agora, conseguimos esse importante reconhecimento”, explicou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Nivaldo Albani. Só que não basta ter apenas o título, o próximo passo é consolidar esse reconhecimento entre os empresários do setor para que possam usufruir dos benefícios e políticas públicas de fomento ao setor, e assim conquistar mais espaço no mercado cada vai mais acirrado. “Vamos nos reunir com a Associação Comercial e os empresários para passar as informações sobre a importância do APL e os benefícios. Precisamos que os empresários façam adesão ao projeto para podermos cumprir as novas etapas e desenvolver ainda mais esse segmento que tanto cresce na nossa cidade”, completou o secretário.

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Um setor que precisa se reinventar

Para alguns empresários do ramo, o problema é o mesmo dos demais, ou seja, a economia oscila muito. Entre 2010 e 2012, o volume de venda de móveis aumentou 54%, mas entre 2013 e 2019, recuou 27%, perdendo metade do ganho anterior. Para os representantes moveleiros, o cenário pós-pandemia pode ser menos nebuloso se a indústria e o varejo puderem focar no próximo passo. “Esse é o melhor momento para refletir e voltar com uma visão diferente. Como? Pensando e agindo de forma diferente”, afirma o diretor de uma loja de móveis no centro de Birigui.

Combinar redução e horizontalização dos preços

As críticas que rondam o setor são os excessos que mais confundem do que ajudam os compradores. Por exemplo, um cliente que visita o site de uma loja de móveis para comprar uma estante ou um sofá, pode se embrenhar num mato cheio de espinhos. Há sites que com mais de dois mil produtos ofertados, sem muita diferença no visual, mas muita no preço. É possível encontrar desde R$ 80 a R$ 1.700, sendo que os móveis em questão, todos, vão preencher o mesmo espaço de uma sala durante anos. É a eterna discrepância do EU indústria ou o EU varejo que vende um móvel pelo preço de um quilo de picanha. Segundo o diretor-presidente do Instituto Impulso, Ari Bruno Lorandi, essa situação poderia ser evitada com mais treinamento dos vendedores das lojas físicas e mais eficiência do e-commerce. “Insisto nas lojas físicas, elas não vão desaparecer, porque representam mais de 90% da venda dos móveis no País. Essa é a realidade e não vai mudar tão cedo, desde que, as lojas físicas sejam eficientes, prestadoras de serviço ao cliente, que façam coisas diferente. Infelizmente o varejo vem perdendo seu encanto ao longo dos anos, acreditando que a tecnologia resolve tudo. Ela ajuda, claro, mas não substitui o vendedor bem treinado, por mais que este vendedor esteja em um ambiente online”, acredita.

Para os empresários do ramo, há uma recomendação, que se mantenham bem informados. “Nunca a informação foi tão importante como agora. Sem falsa modéstia, o setor tem feito a sua parte, disponibilizando às indústrias e aos fornecedores todos os canais com acesso gratuito. Provavelmente por isso, nesse período de pandemia, o tráfego de informações tenha crescido em média 60%. É uma confirmação de que os integrantes da cadeia moveleira estão buscando se informar para serem mais assertivos e protagonistas em suas decisões”, conclui Lorandi. Com o novo reconhecimento para o setor em Birigui há uma nuvem que paira sobre algumas questões, como aprender com esta crise, que infelizmente, a indústria de móveis não tem colchão financeiro para suportar fortes tempestades e um braço de motivação, onde pensar e fazer diferente dá lucro.

*Por Priscilla Andrade – originalmente publicado em Folha da Região

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