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Compra de móveis pelas famílias em 2020 vai voltar ao nível de 2009

Com a pandemia do novo coronavírus, o consumo das famílias brasileiras ficará comprometido ao longo de 2020, se igualando aos patamares de 2010 e 2012, descartando a inflação e levando em conta apenas os acréscimos ano a ano. A projeção é uma movimentação de cerca de R$ 4,465 trilhões na economia – um crescimento negativo de 5,4% em relação a 2019 -, a uma taxa também negativa do PIB de 5,9%. A previsão é do estudo IPC Maps 2020, que é utilizado também como base para o Mapa do Mercado, estudo do consumo de móveis elaborado pelo Intelligence Group, através do Instituto Impulso.

O levantamento aponta que, a exemplo de 2019, as capitais seguirão perdendo espaço no consumo, respondendo por 28,3% desse mercado. Enquanto isso, o interior avançará com 54,8%, bem como as regiões metropolitanas, cujo desempenho equivalerá a 16,9% neste ano.

A pesquisa destaca, ainda, a redução na quantidade de domicílios das classes A e B1, o que elevará o número de residências nos demais estratos sociais. Para Marcos Pazzini, diretor do IPC Maps, “essa migração das primeiras classes impactará positivamente o consumo da classe B2, com uma vantagem de 6,8% sobre os valores de 2019”, explica. As outras classes, por sua vez, terão queda nominal do potencial de consumo de 2,9% em relação a 2019.

 

Consumo de móveis volta a 2009

Nominalmente, ou seja, sem correção do valor pela inflação do período, os números atualizados do Potencial de Consumo de Móveis em 2020 são equivalentes aos de três anos atrás. O Mapa do Mercado 2020, atualizado pós-pandemia, identifica um potencial de R$ 62,6 bilhões, pouco mais do que os R$ 61,4 bilhões de 2017. Porém, se corrigido pelo IGPM do período (87,7% entre 2009 e 2019), o valor previsto para 2020 é equivalente ao de 2009, ou seja, recuamos 11 anos em valor financeiro disponível pelas famílias para a compra de móveis.

 

Perfil básico

O Brasil possui mais de 211,7 milhões de cidadãos, sendo 179,5 milhões só na área urbana, que respondem pelo consumo per capita de R$ 23.091,50, contra os R$ 9.916,75 gastos individualmente pela população rural.

 

Base consumidora

Como observado antes, neste ano a classe B2 lidera o cenário de consumo, representando mais de R$ 1 trilhão dos gastos. Junto à B1, estão presentes em 20,9% dos domicílios, sendo responsáveis por 41,1% (R$ 1,7 trilhão) de tudo que será desembolsado pelas famílias brasileiras.

Porém, se para a classe média a migração da classe alta para os demais estratos é positiva, para quase metade dos domicílios (48,7%), caracterizados como classe C, o total de recursos gastos cai para R$ 1,475 trilhão (35,6% ante 37,5% em 2019). Já a classe D/E, que ocupa 28,3% das residências, consome cerca de R$ 437,9 bilhões (10,6%). Mais enxuto, em apenas 2,1% das famílias, o grupo A reduz seus gastos para R$ 528,6 bilhões (12,8% contra 13,7% do ano passado).

O mesmo acontece na área rural que, embora no ano passado tivera uma evolução significativa, neste ano recua de R$ 335,9 para R$ 319,6 bilhões.

 

Cenário Regional

O destaque vai para a Região Centro-Oeste que ampliou em 7,9% sua participação no consumo, respondendo por 8,9% dos gastos nacionais. Encabeçando a lista, embora com pequenas contrações, aparece o Sudeste com 48,4%, seguido pelo Nordeste, com 18,5%. A Região Sul, que em 2019 tinha reduzido sua fatia, volta a subir para 18,0% e, por último, aparece a Norte, representando 6,2%.

 

Mercados potenciais

O desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros equivale a 38,7%, ou R$ 1,759 trilhão, de tudo o que é consumido no território nacional. No ranking dos municípios, os principais mercados permanecem sendo, em ordem decrescente, São Paulo e Rio de Janeiro, seguido por Brasília, que recuperou a 3ª posição, deixando Belo Horizonte atrás. Já, Curitiba sobe para o 5º lugar, ultrapassando Salvador. Na sequência, Fortaleza, Porto Alegre, Manaus e Goiânia – essa em 10º –, ocupam os mesmos lugares de 2019.

Cidades metropolitanas ou interioranas como, Campinas (11º), Guarulhos (13º), Ribeirão Preto (18º), São Bernardo do Campo (19º) e São José dos Campos (21º), no estado de São Paulo; São Gonçalo (16º) e Duque de Caxias (24º), no Rio de Janeiro; bem como as capitais Belém (14º), Campo Grande (15º) e São Luís (17º) também se sobressaem nessa seleção.

 

Hábitos de consumo

A pesquisa IPC Maps detalha, ainda, onde os consumidores gastam sua renda. Dessa forma, os itens básicos aparecem com grande vantagem sobre os demais, conforme se observa a seguir: 25,6% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 18,1% a outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc.); 14,1% vão para alimentação (no domicílio e fora); 13,1% a transportes e veículo próprio.

Medicamentos e saúde, materiais de construção, educação, vestuário e calçados, recreação, cultura e viagens, higiene pessoal, eletroeletrônicos, móveis e artigos do lar, bebidas, para artigos de limpeza, fumo e joias, bijuterias e armarinhos ficam com 29,1% do total de R$ 4,465 trilhões.

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