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Empresas sinalizam retomada lenta após greve

A retomada do setor produtivo depois do fim da paralisação dos caminhoneiros está mais lenta que o previsto. Dados preliminares do Estado de São Paulo sinalizam atividade ainda fraca da indústria e do comércio na primeira quinzena de junho, o que indica que a volta à normalidade ainda é gradual.

 

Para entidades setoriais e analistas, a recuperação está sendo travada pelos debates em torno do tabelamento do preço do frete e pela diminuição da confiança dos consumidores e empresários. O cenário só reforça o que ficou consolidado desde a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, no fim de maio: o ritmo da atividade arrefeceu e fica cada vez mais provável um crescimento entre 1% e 2% neste ano. Abaixo da expectativa e pouca coisa melhor que em 2017.

 

O levantamento realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo mostra que as vendas da indústria paulista caíram 13%, ou R$ 635,5 milhões, nas duas semanas seguintes ao fim da greve. O estudo usa as notas fiscais eletrônicas e compara o faturamento das empresas com os mesmos dias úteis do ano anterior.

 

A perda de fôlego também é sentida no varejo paulista, cujo ritmo de compra de bens, um indicador da atividade esperada para o setor, está 4,4% abaixo ante igual período de 2017. A fraqueza no comércio tira encomendas da indústria. “Maio foi um desastre e deixa uma memória. Você tem estoques que vão se acumulando por causa da frustração de vendas”, diz o assessor de política tributária da Secretaria da Fazenda de São Paulo, André Grotti.

 

A interrupção da atividade econômica também levou ao menos dois estados – Espírito Santo e Paraná – a adiarem a data para recolhimento do ICMS. A medida atendeu o pedido de empresários que alegaram descasamento do fluxo de caixa por causa da queda no faturamento.

 

No Espírito Santo, o adiamento foi restrito à indústria. O secretário da Fazenda do Estado, Bruno Funchal, diz que a arrecadação vinha crescendo em torno de 12% ao mês, em valores nominais, até abril. “Agora, esperamos perda razoável de receita em junho, condizente com o problema vivido em maio”, afirma Funchal.

 

Pesquisa nacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com 395 sindicatos, associações e federações, aponta que o tempo médio informado para volta do ciclo normal de produção após o fim da greve foi de 19,76 dias e que, durante os 11 dias de paralisação, a queda média de faturamento foi de 54%.

 

“Existe uma curva de retomada de produção, como mostra a pesquisa. Mas, com o aumento de custos em função do tabelamento, vários setores estão sem embarcar ou com as linhas prejudicadas”, explica o gerente executivo da CNI, Pablo Cesário, afirmando que esses impactos são mais sentidos no transporte de alguns produtos, como commodities industriais, agregados para a construção civil e insumos petroquímicos.

 

Segmentos

 

A indústria de móveis não tem dados conclusivos, mas é consenso entre os empresários entrevistados pela revista Móveis de Valor, que o ano de 2018 está novamente comprometido. A expectativa, antes da greve, era de retomada da produção em percentual que pudesse repor as perdas de anos anteriores. Agora, tudo o que se pretende é que este ano seja um pouco melhor do que 2017, nada além disso.

 

No segmento de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, a corrida é para recuperar o tempo perdido nas vendas, uma vez que a produção foi antecipada para atender a demanda esperada por televisores antes da Copa do Mundo. No primeiro trimestre do ano, a produção de televisores cresceu 46% ante o ano anterior, segundo a Eletros, entidade que representa o setor. A alta também reflete a expectativa pela troca de aparelhos devido à mudança do sinal analógico para digital.

 

O encarecimento dos fretes, porém, está jogando contra a viabilidade econômica do escoamento de produção. Segundo a Eletros, há aumentos expressivos nos fretes com origem no Nordeste. Da Bahia para São Paulo houve alta de 256% no frete de eletrônicos em relação ao período anterior à tabela de preços.

 

“O tabelamento do frete está sendo um dificultador da retomada da atividade no segmento de eletrônicos”, diz José Jorge Nascimento Júnior, presidente da Eletros. O setor trabalhava com a previsão de alta nas vendas entre 10% e 15% e agora deve rever essa estimativa.

 

Na região de Manaus, já há relatos de que fabricantes de eletrônicos estudam dar férias ou licença diante da paralisia dos negócios, segundo Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). As fabricantes de motocicletas, revela, decidiram antecipar em uma semana a tradicional parada de meio do ano.

 

A indústria de embalagens de papelão ondulado revisou para baixo a previsão de crescimento das expedições em 2018. A expectativa de alta baixou de 3,8% – projetados no início de maio – para de 2,8% no volume expedido de caixas, acessórios e chapas. A presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), Gabriella Michelucci, conta que a revisão se deu exclusivamente em função da greve. A produção do setor já voltou ao normal, diz.

 

(Com informações do Valor Econômico)

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