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Solução Direto ao Consumidor redesenha o varejo em nível global

Revisado Natalia Concentino - 23 de Fevereiro 2026
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Imagem: Freepik

A venda de produtos como eixo central do varejo está perdendo protagonismo. No lugar dela, avança um modelo que transforma problemas do consumidor em negócios completos.

 

Essa é a avaliação de Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, ao analisar o avanço da chamada Solução Direto ao Consumidor (SDC).

 

Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem

Segundo ele, o movimento não é uma tendência passageira, mas uma evolução estrutural do mercado.

 

“A Solução Direto ao Consumidor é a convergência natural das demandas por serviços integrados a produtos. O consumidor quer conveniência, eficiência e rapidez. As marcas perceberam isso e foram à luta”, afirma.

 

Do produto à solução

 

Durante décadas, o modelo era previsível: indústria fabricava, o varejo vendia e o consumidor escolhia. Com a multiplicação de canais e a expansão do comércio eletrônico, essa dinâmica mudou.

 

Para Gouvêa, o protagonismo saiu do produto e passou para a solução.

 

“O problema do consumidor virou o verdadeiro negócio”, resume.

 

Ele cita o foodservice nos Estados Unidos, que já representa cerca de 60% dos gastos com alimentos e bebidas, como exemplo de migração de produto para solução integrada.

 

No modelo SDC, fornecedores e marcas assumem a responsabilidade de resolver o problema do cliente, integrando serviços e produtos e, muitas vezes, reduzindo a dependência do varejo tradicional.

 

Exemplos que mostram a virada

 

O especialista aponta que o movimento já está disseminado globalmente.

 

Philips desenvolveu programas de monitoramento contínuo em saúde.


Tesla passou a testar o aluguel direto de veículos.


Nestlé criou iniciativas de nutrição como serviço.


Bosch Home integrou manutenção preditiva aos produtos.

 

No Brasil, a Unilever avançou com as lavanderias Omo, transformando detergente em serviço. A Moura passou a vender, entregar e instalar baterias, resolvendo o problema completo do consumidor.

 

“O produto vira porta de entrada. O valor está na solução recorrente, conveniente e direta com a marca”, explica Gouvêa.

 

O embrião: o D2C

 

O movimento começou com o Direct to Consumer (D2C), quando marcas passaram a vender diretamente ao consumidor final para capturar valor e dados.

 

A Nespresso transformou o mercado global de café ao criar um ecossistema completo, indo além da cápsula.


A Portobello foi precursora no setor cerâmico ao oferecer lojas próprias com projetos integrados.


Empresas de móveis modulados também avançaram ao integrar produto, projeto e instalação.

“O D2C foi o início. O SDC é a evolução”, afirma.

 

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Quando resolver vira vantagem competitiva

 

Para Gouvêa, a tecnologia, o digital e a inteligência artificial aceleram esse processo ao permitir integração de dados, personalização e recorrência.

 

Alguns varejistas já entenderam o movimento e passaram a jogar esse jogo da solução:

 

Walmart amplia serviços de saúde.


Nordstrom integra cafés e restaurantes.


Whole Foods e Wegmans fortalecem foodservice.


Amazon Prime cria um ecossistema de recorrência.

 

“O cenário é irreversível. A discussão não é mais se vai acontecer, mas em que velocidade”, afirma.

 

As cinco frentes do SDC

 

Segundo o executivo, o modelo avança simultaneamente em cinco dimensões:

 

  • Relação direta com o consumidor
  • Captura de dados proprietários
  • Criação de recorrência
  • Transformação de venda pontual em serviço
  • Redução da dependência de canais tradicionais

 

Esse movimento, na avaliação dele, expõe um novo desafio competitivo.

 

“Vai impor um cenário exponenciado para o varejo que apenas vende produto”, alerta.

 

O que muda para o varejo

 

Para Gouvêa, o varejo terá três caminhos estratégicos:

 

  1. Se reinventar e ampliar sua proposta de valor, incorporando soluções completas e marcas próprias.
  2. Integrar indústria, serviços e canais para oferecer experiências mais amplas.
  3. Reposicionar-se como plataforma de relacionamento, e não apenas como ponto de venda.

“O jogo mudou de tabuleiro. Vale revisar os planos estratégicos. E rápido”, conclui.

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