LinBrasil celebra 25 anos com mobiliário de Sergio Rodrigues
Dedicada à edição de uma linha exclusiva de móveis de Sergio Rodrigues, a LinBrasil celebra 25 anos de existência com a sua primeira participação na SP-Arte 2026, entre 8 e 12 de abril, no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera em São Paulo-SP.
Idealizada e dirigida por Gisèle Schwartsburd, a LinBrasil é a iniciativa de maior longevidade no que tange à reedição de móveis modernistas no país, mediante licenciamento do autor e/ou de sua família, dentro de critérios técnicos rigorosos de produção.
A atuação da marca reposicionou a produção de Sergio Rodrigues como objeto de desejo na cena nacional e internacional do design, com venda por lojas em várias cidades brasileiras e do exterior.
No estande projetado pelo arquiteto Alessandro Sartore e com direção criativa/design do escritório gedegato, a LinBrasil apresenta uma nova série de peças assinadas pelo mestre do mobiliário modernista:
Uma das últimas criações de Sergio Rodrigues, a cadeira Paiol será lançada mundialmente na SP-Arte 2026. Originalmente desenvolvida para o Teatro Paiol, em Curitiba, tem estrutura em compensado moldado e assento estofado em couro.
Os dois furos laterais no encosto, marca recorrente do designer, conferem leveza visual. Inicialmente fixada à arquibancada, a peça ganha agora versão autônoma pela LinBrasil, com colaboração de Sergio Fahrer e base em aço carbono com pintura preta.

Cadeira Bule, 1991
Criada já na maturidade de sua carreira, a cadeira Bule assume caráter escultórico. De espaldar alto, combina traços verticais, formas orgânicas e volumes marcantes.
O apoio de cabeça em madeira maciça remete à poltrona Chifruda, enquanto o encosto, desenhado em um único gesto, integra-se às pernas traseiras. Com referências à cadeira Mena, a peça mistura imponência e fluidez, evocando uma estética que o próprio Sergio associava à figura de um samurai.

Mesa Auxiliar Yara, 1965
A Yara traduz equilíbrio entre cheios e vazios. Suas quatro pernas organizam os planos horizontais, criando uma composição leve e funcional.
O tampo de vidro ocupa parcialmente a superfície, enquanto a gaveta com puxador cava e a prateleira inferior ampliam o uso. Elementos como pés contínuos, encaixes e detalhes metálicos dialogam com a produção de Sergio nos anos 1960.

Baú Sabará, 1965
Com base em soluções geométricas, o Sabará apresenta estrutura em madeira com acabamento que suaviza suas linhas retas.
As pernas percorrem toda a altura da peça, ultrapassando o corpo — recurso recorrente no trabalho do designer. O destaque fica para a moldura delicadamente boleada nos puxadores cava e para os detalhes metálicos pontuais.

Cômoda Luciana, 1965
Marcada pela lógica construtiva dos anos 1960, a Luciana se apresenta como um bloco retangular com duas versões: gavetas ou portas.
Os puxadores cavados, os pés que atravessam o corpo e os detalhes metálicos reforçam a identidade da peça. Há diálogo direto com outras criações do período, evidenciando a consistência formal do trabalho de Sergio Rodrigues.

Banco Eleh, 1965
Desenhado para o Palácio dos Arcos, em Brasília, o banco Eleh combina robustez e precisão construtiva.
Sua forma prismática em madeira contrasta com os pés marcantes, fixados por parafusos ocultos. O recurso dos pés que atravessam o assento reforça a linguagem do designer, presente em diversas obras da época.

Cômoda Mitzi, 1960
A Mitzi explora o contraste entre leveza e estrutura. O corpo em madeira parece flutuar entre barras metálicas, conectadas por parafusos aparentes.
Os puxadores cava e a combinação entre madeira e metal evidenciam a tensão entre artesania e indústria — uma das assinaturas do modernismo de Sergio Rodrigues.

Mesa Stella, 1956
A mesa Stella é uma peça extensível que transita entre o formato circular e oval.
Com estrutura em madeira maciça e reforços metálicos aparentes, combina elegância e engenharia. As pernas anguladas e os tirantes de latão revelam soluções estruturais que se repetem em outras criações do designer.
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Serviço
LinBrasil na SP-Arte 2026
8 de abril: convidados
9 e 10 de abril: 12h às 20h
11 de abril: 11h às 20h
12 de abril: 12h às 19h
Pavilhão da Bienal
Avenida Pedro Álvares Cabral, Parque Ibirapuera, Portão 3
São Paulo-SP
Ingressos e outras informações sobre o evento: clique aqui
Sobre Sergio Rodrigues, por Adélia Borges (historiadora de design)
Sergio Rodrigues foi um dos grandes expoentes do mobiliário moderno no mundo. Nascido em 1927 no Rio de Janeiro, faleceu na mesma cidade em 2014, após seis décadas de atuação continuada no design de móveis e na arquitetura. Sergio desde o início trilhou um caminho próprio, fazendo da expressão da identidade brasileira uma procura deliberada. Bebeu na tradição colonial e na herança ibérica para cunhar peças que atendessem as demandas da arquitetura modernista, mas com um forte acento de brasilidade.
Foi, nesse sentido, um precursor, pois nesse momento predominava a linguagem funcionalista e internacional. Em 1955, fundou a Oca, nome que define uma intenção: a de retomar o espírito da simplicidade da casa indígena, integrando passado e presente na cultura material brasileira. Por meio dessa empresa, forneceu parte significativa do mobiliário para os interiores dos prédios da então nascente capital federal, Brasília. No Rio de Janeiro, passou a atender a classe média ávida por objetos que traduzissem o espírito efervescente de uma época em que tudo era “novo”, da Bossa Nova ao Cinema Novo.
Desde o início as cadeiras de Sergio Rodrigues romperam com o sentar elegante e bem-comportado, antecipando a demanda por informalidade que viria a dominar os interiores das casas dos jovens da classe média intelectualizada nos anos 60. Sua criação mais célebre, a Poltrona Mole, de 1957, espelha essa radicalidade.
A poltrona convida ao relaxamento e ao aconchego, oferecendo um conforto que lembra o da rede, o mais tradicional equipamento da casa brasileira. Outras obras-chave de sua trajetória são o banco Mocho, de 1954, que se baseia no banquinho de ordenhar vaca; a poltroninha Kilin, de 1973, que também remete à rede; e a poltrona Diz, de 2001, um projeto da sua plena maturidade, apenas em madeira, que permite um extremo conforto ao usuário.
Sergio Rodrigues desligou-se da Oca em 1968 e passou a atuar em seu escritório desenvolvendo linhas de móveis, projetos de arquitetura e ambientação de hotéis, residências e escritórios, e sistemas de casas pré-fabricadas.
A produção seriada de seus móveis foi retomada em 2001 pela LinBrasil, empresa sediada em Curitiba, sob a direção de Gisèle Schwartsburd, alcançando grande penetração nos mercados brasileiro e internacional. Embora expressem com tanta força o espírito do tempo – segunda metade do século 20, início do 21 – e do lugar (Brasil, Rio de Janeiro) em que foram concebidos, os móveis de Sergio Rodrigues se destinam a transcendê-los, tornando-se clássicos universais e atemporais.






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