Polo de Bento segue o Estado, cresce pouco e perde força em 2025
O polo moveleiro de Bento Gonçalves, um dos mais relevantes do país e principal motor do setor no Rio Grande do Sul, encerrou 2025 sob o impacto de um cenário econômico instável. O desempenho ficou aquém das expectativas, refletindo os desafios enfrentados tanto no mercado interno quanto no externo.
Formado por cerca de 300 indústrias distribuídas entre Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Tereza, o polo registrou faturamento de R$ 3,7 bilhões. No entanto, descontada a inflação medida pelo IPCA (4,26%), o crescimento real foi de apenas 0,93% em relação a 2024.
Segundo a presidente do Sindmóveis, Cíntia Weirich, o resultado ficou abaixo do projetado, embora não tenha sido negativo. A combinação de juros elevados e crédito restrito impactou diretamente o consumo de bens duráveis, freando o ritmo do setor no mercado interno. A perspectiva para 2026 também exige cautela, diante de fatores como o período eleitoral, a transição da reforma tributária e a tendência de redução gradual dos juros.
No mercado internacional, o desempenho também foi negativo. As exportações somaram US$ 57,2 milhões, queda de 6,9% em relação ao ano anterior. A principal razão foi a taxação de 40% imposta pelos Estados Unidos, que comprometeu a competitividade brasileira no principal destino das vendas externas. Ainda assim, houve avanço em mercados alternativos, como Uruguai, Argentina e Equador.
O emprego seguiu a mesma tendência de retração. O polo encerrou o ano com 6.114 trabalhadores, redução de 2,27% frente a 2024, acompanhando o movimento observado no setor moveleiro em nível estadual e nacional.




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