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Tendência em móveis reflete novos valores da relação com o lar

Especialista ressalta um olhar diferenciado para os móveis, já que o consumidor tem passado muito mais tempo em casa; curso de design de mobiliário da Panamericana tem início no dia 24 de março

O isolamento social transformou a relação que as pessoas têm com os espaços. É comum que, passando mais tempo em casa, todos comecem a desenvolver um olhar diferente sobre cada ambiente e reparem em detalhes que antes não eram percebidos. “A pandemia veio para mudar muita coisa nas nossas vidas e o mobiliário não foge a essa regra. Há um movimento de valorização da qualidade de vida baseada na relação que temos com nossos lares, e os móveis possuem uma função crucial neste ponto”, acredita Roberto Leme, designer e proprietário do Studio Volanti.

Formado em Design de Mobiliário pela Panamericana Escola de Arte e Design, Leme sempre valorizou a natureza brasileira e voltou sua carreira para a criação de móveis com foco em alta qualidade e durabilidade, tendo estudado a fundo a marcenaria tradicional japonesa e as nossas  madeiras nacionais.

Segundo o especialista, a tendência é que o consumidor olhe para os móveis que o rodeiam de forma diferente, uma vez que tem passado muito mais tempo em casa do que antes. “O principal desejo é que esses produtos durem mais, sejam belos e cumpram sua função muito bem. Um bom design é aquele que não precisa gritar por atenção, mas sim exerce o que é proposto”, diz Leme.

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Boa parte do que se vê no design de interiores e de mobiliário contemporâneos surgiu em decorrência de outras grandes crises de saúde pública, como, por exemplo, a pandemia de gripe espanhola de 1918.

Até então, as pessoas estavam acostumadas a viver em casas escuras, com cômodos sem janelas, sem ventilação, sem entrada de luz natural e usavam móveis sem muita definição de função. Foi exatamente a preocupação com o fato da não circulação de ar facilitar a proliferação de doenças que gerou uma mudança de paradigma na esfera da arquitetura e urbanismo, e deu início à construção das casas com um maior número de janelas como as em que moramos nos dias atuais.

Outro exemplo é a invenção dos guarda-roupas. No século 18, por conta da falta de mobiliários adequados para tal propósito, a maioria das roupas e pertences das pessoas eram guardadas amontoadas em baús. Como a prática propiciava a proliferação de vírus e bactérias, a primordialidade de facilitar a limpeza, não apenas dos cômodos, mas também das roupas, desencadeou a criação dos móveis como conhecemos hoje. O fato é que, com a necessidade da evolução do modo de viver por questões de saúde, a arquitetura e o design precisaram exercer seu papel social e acabaram por se reinventar.

“Ser designer de produto no Brasil é um enorme desafio, ainda mais empreendendo do zero. Entre os obstáculos, podemos mencionar a logística, produção, vendas em nível nacional, tributação, entre outros. Mas é a minha paixão. A relação que criamos entre os produtos, os clientes e nós, designers, é incrível e vale cada gota de suor”, finaliza Leme.

Rodrigo Leme e seu sócio Lucas Rosin compartilharam com a Móveis de Valor os desafios que a área do design está enfrentando neste período de tantas transformações. Em live através do nosso perfil no Instagram os especialistas se aprofundaram nas questões que envolvem essa mudança da relação das pessoas com o lar após um ano de pandemia do Novo Coronavírus. Assista a entrevista na íntegra clicando aqui.

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