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Varejo retoma as vendas bem mais otimista do que a indústria

As incertezas provocadas pela quarentena em decorrência da Pandemia começam a se dissipar. Lojistas ouvidos pelo Portal MV mostram muito otimismo com a retomada dos negócios, mas percebem que alguns fabricantes superdimensionaram a crise.

Tudo vai voltar ao normal

O otimismo de Sued da Costa Silva, diretor da Star Móveis, com 34 lojas no Distrito Federal e Goiás, é contagiante. Aliás, Sr. Sued garante que ele é contagiado pela equipe das lojas. “Temos um time maravilhoso, que não se deixou abater por esta pandemia, e isso vem fazendo a diferença na performance das lojas nesta retomada”, enfatiza.

Durante 21 dias todas as lojas da rede permaneceram fechadas e a empresa ficou sem vender porque não tem canal de venda online. Com a reabertura gradual das lojas – as últimas foram as de shopping que ficaram mais de 40 dias fechadas – veio a surpresa. “A volta foi impressionante. O cliente veio com vontade de comprar e nós estamos vendendo mais agora do que antes da quarentena”, comemora Sued, que acredita que as vendas tem se mantido em alta, motivadas pela demanda reprimida e pela percepção da necessidade de troca de produtos como o colchão, em função das pessoas terem ficado mais tempo em casa durante o isolamento. “Além disso, o dinheiro injetado pelo governo, através do auxílio emergencial, também está ajudando. Especialmente no nosso caso, que temos na Classe C nosso principal público”, acredita o diretor da Star Móveis.  

Além dos móveis, em especial colchões e estofados, a Star Móveis percebeu aumento na venda de eletros. “Como temos muito produto em estoque, isso estimula a venda, porque o cliente voltou mais ansioso e quer receber rapidamente o produto que comprou”, pontua Sued, que reconhece que um dos diferenciais da Star Móveis em relação à concorrência é a eficiência na logística.

Porém, o lojista percebe que a indústria está com algumas dificuldades para reabastecer as lojas com a mesma velocidade. “Não podemos reclamar dos nossos parceiros da indústria, mas alguns ainda estão se ajustando nesta retomada, porque superdimensionaram o tamanho da crise e reduziram a produção” pontua Sued, destacando que acredita que essa situação será normalizada em breve.

Mas voltando a falar sobre a equipe, o diretor da Star Móveis, faz questão de lembrar que a rede não promoveu demissões e, ao contrário, está contratando novos colaboradores. E também reforça que a maior preocupação é com a segurança da equipe. Por isso segue rigorosamente as normas sanitárias.

Sobre os aprendizados da pandemia, Sued destaca o uso das videoconferências com os gerentes das lojas, que agora não precisam mais viajar para participar de reuniões. “Essa prática deve ser mantida depois da pandemia”, afirma. Mas a maior lição, na opinião deste lojista com 40 anos de experiência, “é perceber o valor que a vida tem”.

 

Loja fechada não impede vendas

Pelo menos não impede vendas para a Bom Negócio Móveis e Decoração, que possui duas lojas em Lajeado (RS).

Rafael Zagonel Rodrigues conta que já usava as redes sociais (Facebook e Instagram) para promover os produtos da loja. Mas quando a quarentena iniciou, ainda no mês de março, passou a explorar as ferramentas de maneira mais profissional e com foco em vendas. “Os clientes receberam bem e assim começamos a vender pelas mídias sociais e fazer o fechamento, com pagamento via cartão de crédito, ou assinatura de contrato da financeira, direto na casa do cliente, no momento da entrega do produto”, destaca.

Segundo ele, por ficar mais tempo em casa as pessoas sentiram necessidade de investir em conforto e os móveis, em especial estofados, colchões e roupeiros, passaram a encabeçar a lista de vendas das lojas. “Mesas de escritório e cadeiras também tiveram demanda aumentada por conta da necessidade de trabalhar em casa”, pontua.

Agora as lojas já estão abertas e Rafael faz questão de destacar que os cuidados para evitar a propagação do vírus são levados a sério pela equipe da Bom Negócio. Aliás, a equipe da loja se adaptou bem a nova realidade e tem feito a diferença na performance das vendas. “Estamos vendendo em volume semelhante a pré-pandemia. E a expectativa é de que as vendas se mantenham em alta ao longo do ano, afinal nossa região é rica e não deve ser muito afetada pelo desemprego”, acredita o diretor da Bom Negócio, que descobriu que a pandemia pode revelar oportunidades e que vender pelas mídias sociais também é um bom negócio.

 

A loja cabe dentro do celular

Foi o que pensou Larry Juarez Viero, da CasaNossa, de Farroupilha (RS). Apesar de ter ficado apenas uma semana com as portas fechadas, Larry garante que não parou de trabalhar um só dia. “Continuamos recebendo mercadoria e fazendo contato com os clientes via WhatsApp. Logo que a loja reabriu percebemos que os clientes estavam receosos de voltar a circular, mas as vendas pelo celular se mantiveram”, conta.

Passado o medo inicial os clientes voltaram a frequentar a loja e as vendas foram retomadas nos mesmos níveis de antes da quarentena, garante o proprietário da CasaNossa, destacando que os estofados estão entre os produtos mais procurados. “Os clientes estão comprando, mas querem receber rapidamente os produtos, exceto os modulados, porque sabem que precisamos alguns dias para entregar”, afirma Larry, lamentando que os fornecedores não estão conseguindo garantir entregas rápidas. “As indústrias não acreditaram na retomada e ficaram muito tempo fechadas ou trabalhando em meio turno”, enfatiza.

Larry também se define como um otimista e acredita que o mercado de móveis vai voltar aos níveis do início do ano, com todos se adaptando às novas formas de se relacionar e de fazer negócios.

 

Um novo jeito de vender

Atendimento com horário agendado, foi a solução encontrada pela Aliança Móveis, com três pontos de venda em Curitiba (PR), para retomar as vendas na reabertura das lojas, que ficaram fechadas durante 15 dias. O objetivo da estratégia é evitar aglomeração e proteger funcionários e clientes.  Washington Wagy Wassouf, diretor da Aliança, destaca que a volta superou as expectativas, com os clientes comprando todos os tipos de produtos. “Os clientes estão comprando, embora tenhamos percebido uma leve redução no tíquete médio”, afirma, destacando que não dá para prever se a crise vai afetar o varejo nos próximos meses.

Esse novo jeito de vender, com menos contato físico, contraria a filosofia da Aliança Móveis e do fundador Wagy Wassouf (já falecido), que sempre teve contato direto com os clientes na loja e fazia do abraço e da calorosa recepção seu cartão de visitas. Mas se é este o “novo normal”, a loja já está adaptada.       

 

Inauguração de loja durante a pandemia

Mesmo depois de ter ficado com lojas fechadas por até 70 dias, a direção da Lojas Lebes, resolveu manter o cronograma de abertura de novas lojas. O presidente da rede, fundada em São Jerônimo (RS) em 1956, Otelmo Drebes, conta que nesta quinta (4) está inaugurando uma loja, o 161º ponto de vendas. “Temos orgulho de ter três mil funcionários e nenhum caso de Covid-19. Estamos sempre medindo a temperatura e o nível de oxigenação de cada um, distribuindo máscaras e cuidando da higienização das lojas, além de álcool em gel sempre disponível”, afirma.

Segundo Drebes, o mês de abril foi o pior para a rede, pois quase todas as lojas ficaram fechadas. “Temos 300 funcionários no administrativo e 200 deles trabalharam e ainda estão em home office, os outros 100 atuam de forma presencial. Demos férias para alguns e usamos as medidas do governo, e com a reabertura das lojas estamos trabalhando com um quadro reduzido de funcionários nas unidades”, explica o presidente da Lojas Lebes.

Apesar disso, ele destaca que as vendas estão apenas um pouco menor na comparação com o mesmo período do ano passado, cerca de 10 a 15% menos, desde a reabertura. “Ainda sentimos que há um clima de insegurança e medo por parte dos consumidores, além do aumento do desemprego, o que influencia diretamente nas compras. Mas, acredito que o auxílio emergencial deu uma força para que as pessoas continuassem consumindo. O que notamos é que passamos a vender mais confecção e eletroportáteis (como notebooks), mas as vendas de móveis se mantiveram iguais”, descreve.

Para Drebes, o País está enfrentando uma crise de saúde, econômica e política, que trará muitas consequências à frente, principalmente por causa do desemprego. “Se não tiver consumo, muitas empresas vão quebrar. Outro ponto é que a prorrogação de impostos não é suficiente para manter as empresas ativas, outras medidas do governo seriam bem-vindas”, defende o varejista.

 

Muitas soluções para o mesmo problema

O que percebemos ao preparar esta reportagem é que a situação difere muito entre os varejistas. E os motivos são diversos, desde a região onde a loja está inserida, as estratégias usadas na reabertura mas, principalmente, o porte do negócio. Para as pequenas redes ou lojas individuais as mudanças são absorvidas mais facilmente e os resultados são percebidos mais rapidamente. Já as redes, como a Lebes, como vimos antes ou a MM, de Ponta Grossa (PR), precisam investir em mais soluções para resolver o problema.

A rede MM teve todas as lojas fechadas na segunda quinzena de março e começaram a reabrir gradualmente. No início, algumas lojas retomaram como correspondente bancário e depois, com autorização do Poder Público, foram reabrindo para vendas. A principal preocupação com a segurança de funcionários e clientes fez com que fosse a primeira empresa a instalar barreira sanitária de desinfecção em algumas lojas.

Márcio Paulik, vice-presidente comercial e de vendas, destaca que a MM contratou 200 costureiras para confeccionar máscaras para colaboradores e clientes. “Evitamos fazer muitas demissões e estamos usando minimamente os recursos oferecidos pelo governo, adotando apenas a prática da redução da jornada em 25%”, destaca.

Esse tipo de ação, na opinião de Paulik, reflete na imagem da rede, que manteve as vendas online e via WhatsApp. Embora perceba que a confiança do consumidor ainda está abalada, o diretor da MM acredita que a economia vai se recuperar e que todos precisam fazer sua parte e cuidar da saúde e dos empregos neste “novo normal”.

 

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