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Com incertezas, indústria corta investimentos

A constatação de que a economia deve crescer menos do que o esperado fez os empresários da indústria cortarem investimentos previstos para este ano. A greve dos caminhoneiros, que tirou quase 15 dias de faturamento das empresas, ampliou as incertezas no mercado interno, que já embutia o risco eleitoral. As pressões externas, que culminaram com a alta do dólar, também aumentaram as preocupações do setor.

 

Pesquisas revelam que, nas últimas semanas, os empresários ficaram receosos em prosseguir com investimentos que gerassem aumento de produção, diante de uma ociosidade entre 25% e 30% nas fábricas.

 

Na semana passada, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) cortou a projeção de investimento do setor para este ano. Em março, a expectativa, baseada na consulta a 442 empresas, era de que seria investido 1,2% mais do que em 2017. Agora, a estimativa é de queda de 0,4% ou R$ 503 milhões a menos. Com isso, o aporte total deve ser de R$ 117,3 bilhões.

 

"O grande problema foi a redução da projeção do PIB e a greve", afirma o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. Segundo elem a grande questão, é que greve afetou o folêgo da  indústria em geral. “Como as empresas vão faturar menos e a ociosidade é maior, elas vão tirar o pé dos investimentos”, afirma.

 

A última pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre abril e maio, mostrava que 81% das empresas tinham intenção de investir neste ano, ante 67% em 2017 e 64% no ano anterior. Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Políticas Econômicas, não sabe se o indicador será mantido na próxima consulta.“O cenário mudou; os juros americanos aumentaram e isso bate no nosso câmbio”, afirma, enfatizando que a greve, que mostrou um ambiente político fraco para negociações e uma insegurança jurídica forte – ambiente que não favorece investimentos. Para João Marchesan, da Abimaq, a falta de projetos terá reflexos no futuro. “O investimento de hoje é o crescimento de amanhã”, completa.

 

Ainda antes da greve

 

Outra pesquisa mostra que os empresários da indústria começaram a segurar os investimentos antes mesmo da greve. O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria do segundo trimestre, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com cerca de 700 empresas em abril e maio, caiu 7,6 pontos em relação ao primeiro trimestre.

 

O resultado é quase o mesmo do fim de 2017 e está abaixo da média registrada antes da recessão de 2014. "É um sinal preocupante porque 95% das indústrias foram consultadas antes da greve, que adicionou mais incertezas", diz o superintendente de Estatísticas Públicas da FGV/Ibre, Aloisio Campelo Jr.. Se a apuração tivesse ocorrido na época da greve, ele acredita que o resultado seria ainda pior.

 

Efeitos

 

A retração de aportes da indústria afeta o investimento total da economia. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta para este ano aumento de 4,5% da Formação Bruta de Capital Fixo, que mede o investimento. Seria o primeiro avanço desde 2013.  Segundo o diretor do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diante das incertezas, a alta deverá ser menor. "Os efeitos de se investir menos são perda de renda e de crescimento do PIB e a redução na capacidade de produção", diz.

 

 Coelho da Fiesp acrescenta que, sem investimento em modernização, a produtividade cai e o País fica ainda mais distante de competidores globais. Para o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Rafael Cagnin, investimento em pesquisa e desenvolvimento, por exemplo, deveria ser contínuo, e interrompê-lo significa que talvez não possa ser resgatado. Segundo ele, grandes investimentos estão fora do radar e a retomada só deve ocorrer após a eleição.

 

(Com informações de Estadão)

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