EXCLUSIVO: Decreto evita acumular tarifas dos EUA ao Brasil
Não haverá sobreposição de novas tarifas da Seção 232 sobre os tributos já aplicados

Duas das principais associações do setor moveleiro dos EUA estão oferecendo mais clareza sobre a aplicação das recém anunciadas tarifas da Seção 232, embora ressaltem que muitas dúvidas ainda persistem.
De acordo com a American Home Furnishings Alliance (AHFA) e seus consultores jurídicos da Mowry Grimson, o decreto da Casa Branca não acumulará as novas tarifas da Seção 232 sobre os tributos já aplicados via tarifas recíprocas ou pelo International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) a Brasil (40%), Índia (25%), Canadá (10%) e México (10%).
Para a China, contudo, a situação é diferente: as tarifas da Seção 232 serão aplicadas sobrepostas às já existentes — 20% do IEEPA e 7,5% a 25% da Seção 301. Isso significa que sofás, poltronas e estofados importados da China poderão enfrentar alíquotas efetivas bem acima da faixa de 25% a 30% anunciada oficialmente.
As novas tarifas se aplicam a assentos estofados — sofás, cadeiras e seccionais — classificados nos códigos HTSUS 9401.61.4011, 9401.61.4031, 9401.61.6011 e 9401.61.6031. As alíquotas começam em 25% em 14 de outubro de 2025, subindo para 30% em 1º de janeiro de 2026.
Gabinetes de cozinha, pias e peças correlatas também estão incluídos, partindo de 25% e dobrando para 50% no próximo ano.
Importações do Reino Unido, União Europeia e Japão ficarão limitadas a tarifas entre 10% e 15%, conforme tratados comerciais existentes. O decreto presidencial ainda abre espaço para que outros parceiros negociem alternativas, desde que respondam a preocupações de segurança nacional ligadas às importações de madeira.
HFA: dúvidas sobre definições e conformidade
A Home Furnishings Assn. (HFA), que representa os varejistas de móveis, destacou que, apesar da definição das categorias afetadas, ainda há muitas incertezas práticas.
Entre as principais estão:
Como será definida exatamente a categoria “assentos estofados” — incluindo se peças modulares, produtos de materiais mistos ou partes importadas estarão abrangidas.
Como será determinado o “país de origem”, já que regras de origem e práticas de transbordo podem definir se determinados produtos terão isenções ou tarifas adicionais.
“As categorias foram nomeadas, mas muitos detalhes práticos permanecem obscuros”, afirmou a HFA em comunicado a seus membros.
A entidade informou que está analisando o texto do decreto junto a seus consultores, avaliando com especialistas em alfândega e acompanhando possíveis processos de exclusão. Também prepara orientações de conformidade para apoiar os varejistas durante a fase de implementação.
O que os varejistas devem fazer agora
Enquanto aguardam definições, a HFA recomendou medidas imediatas:
Revisar portfólios de importação para identificar produtos afetados.
Verificar origens de fornecimento em busca de mercados isentos.
Prever impacto nos custos antes da entrada em vigor em 14 de outubro.
A associação alertou ainda que a imprevisibilidade, mais do que as próprias alíquotas, pode ser o maior desafio.
A incerteza sobre como as tarifas serão aplicadas e fiscalizadas pode atrasar investimentos e paralisar decisões ao longo da cadeia de suprimentos.
O CEO da Móveis de Valor, Ari Bruno Lorandi, já havia antecipado em seu programa desta semana https://i.ytimg.com/an_webp/Cvla1gXefxs/mqdefault_6s.webp?du=3000&sqp=CLHs-8YG&rs=AOn4CLAiD_WBNB1jhdYYB4XB4rAkruCvFQ, que não havia razões para acreditar que os EUA tributassem de forma cumulativa as novas tarifas da Seção 232.
Com informações https://www.furnituretoday.com
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