roberto_setubal_itau-1024x923.jpg

“Não dá para salvar todas as empresas”, afirma o banqueiro

Para Roberto Setubal, copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, a crise da pandemia de coronavírus trará mudanças de comportamento profundas, inclusive após o seu fim. Neste contexto, o banqueiro vê como inevitável deixar que parte das empresas deixem de existir e que o mercado se regule posteriormente

“Mudanças virão, e elas serão necessárias, porque tem que ajustar, tem que renovar”, disse o executivo em transmissão pela internet nesta quinta-feira (7).

Do ponto de vista do setor financeiro, Setubal acredita ser necessário fornecer subsídio ao crédito para dar sobrevida a uma categoria específica de empresas: as pequenas, que não têm tantas condições de tomar crédito neste momento e, dentro desse segmento, apenas aquelas que terão condições de sobreviver neste novo contexto do futuro.

“Evidente que as empresas, principalmente as pequenas, vão precisar de um apoio adicional, de subsídio, de ajuda para poder superar a crise”, disse. “Mas tem setores onde a própria demanda vai cair 20%, 30%, mesmo pós quarentena. Não dá para manter e apoiar todo mundo para uma capacidade de 100% quando a demanda mudou estruturalmente para 70%.”

Enquanto defende juros mais baixos e, eventualmente, até spreads tabelados para atender as necessidades dessas pequenas empresas sobreviventes, para as grandes empresas, a ideia de Setúbal é deixar que vão a mercado. “Elas têm outras formas de se financiar. Vai diluir acionista, não tem como, mas se as empresas se abrirem para isso, viabilizam uma passagem por esse período”, diz ele. “Evidente que a Bolsa vai para um nível mais baixo, mas no capitalismo não tem garantia de retorno nem de estabilidade, é a vida”, sentencia.

O que vai mudar?

Para Setubal, o home office é uma mudança “permanente”, inclusive no próprio Itaú. “Não que todo mundo vá ficar em casa todos os dias, mas de repente dois dias em casa, três no escritório”, exemplifica. Também vê um setor aéreo mais enxuto, por uma menor necessidade de viagens de negócios. “Reuniões, especialmente internacionais, funcionam muito bem por vídeo. Por que você vai sair daqui para Nova York para uma, duas reuniões? Tudo isso vai mudar”, aposta. “Certamente teremos menos voos.”

Entre outros, o executivo imagina mudanças permanentes no setor de entretenimento (“quando vai ter um show do U2 em um estádio lotado de novo?) e alimentação (“a gente não vai abrir os restaurantes e eles vão encher”).

Seguindo esta linha de raciocínio, o banqueiro defende a atuação dos EUA perante o desemprego e critica a da Europa. O desemprego entre americanos aumentou em 10%, com o governo focando em fornecer auxílios financeiros e “deixar a empresa que não é mais necessária, do ponto de vista macroeconômico, quebrar”. Já nos países europeus, o foco é em salvar empresas e proteger empregos.

“Provavelmente, nos Estados Unidos a economia vai se ajustar muito mais rapidamente, com os desempregados indo para um setor que está dando emprego. Na Europa, o ajuste vai acabar sendo mais doloroso e mais longo do que em um sistema que você permite que a economia se ajuste”, argumenta. E acrescenta: “A gente vai ter que passar por isso no Brasil. É necessário esse ajuste: setores vão perdurar, outros vão diminuir”.

(Com informações InfoMoney)

 

Esta notícia é sobre a sua empresa? se cadastre e deixe seu contato