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Pernambuco mostra que tem representatividade no setor

Praias, turismo, bonecos de Olinda, caranguejo, frevo, cana-de-açúcar, mangue, Maracatu Atômico... Tudo isso parece um monte de palavras aleatórias jogadas no início de um texto de alguém que pode estar tentando encontrar uma linha de pensamento para seguir ou um assunto para tratar. Mas não, isso é um apanhado de coisas que ouvimos falar sobre o Estado de Pernambuco e armazenamos na mente durante a vida. É claro que esses exemplos são quase nada quando se trata de reunir as características marcantes de um Estado tão rico culturalmente, agraciado por belezas naturais, de muita história para contar, com uma população de diversas origens (o que não difere muito do resto do Brasil) e que, atualmente, sabe explorar muito mais que o turismo para movimentar o PIB (Produto Interno Bruto) estadual.

Se engana quem pensa que o pernambucano só consegue usar a cultura e as belas paisagens para faturar. Muitas indústrias de móveis enxergam de longe o potencial do Estado para abrigá-las e garantir sucesso na região Nordeste. Pois é, Pernambuco é aquele Estado privilegiado por sua localização. O que facilita muita a logística de quem quer explorar o “Brasil de Cima”, ou seja, Nordeste e Norte também, por que não?

Foi com esse pensamento que a gaúcha Herval criou a unidade fabril em Bezerros (PE), e se aproximou da outra extremidade geográfica do País. “Somos uma empresa de 60 anos, mas com o passar do tempo as dificuldades de logística aumentaram, principalmente por estarmos sediados num dos extremos do País. Atender o mercado do Nordeste com colchões e estofados ficava inviável. Por esse motivo, estrategicamente foi escolhido o estado do Pernambuco, ficamos no centro do Nordeste o que facilita a entrega das mercadorias em todos os Estados, inclusive Pará e Amapá, no Norte”, explica Tiago Lourenço Engelmann, gerente comercial da Herval NE.

E a ida da Herval para Pernambuco também deixou as empresas locais satisfeitas, por conta do conhecimento levado à região e a possibilidade de negociar com um fornecedor do Sul do Brasil. Pelo menos é o que pensa Guilherme Brito, da Móveis São Carlos, empresa sediada em Afogados da Ingazeira (PE). “Para nós, a vinda da Herval foi muito interessante, pois somos clientes dela. Desse modo, conseguimos um bom fornecedor e ainda temos a oportunidade de trocar ideias que implicam em mais conhecimento e informação sobre o setor moveleiro”, afirma.

Aliás, todo esse conhecimento que vem sendo adquirido pelo pessoal da Móveis São Carlos vai servir para os planos futuros da empresa. “Nosso objetivo em longo prazo – aí eu falo de dois ou três anos – é construir uma nova planta fabril”, conta Brito. A empresa já está há 33 anos no mesmo lugar e a expectativa é que os investimentos feitos na região tragam bons resultados para as indústrias locais. “Temos orgulho de ter desenvolvido uma empresa em uma região que ficou esquecida por muitos anos, sem receber investimentos, na qual fomos capazes de construir um grupo. Eu digo que de uns anos para cá, Pernambuco virou a ‘menina dos olhos do Brasil’ e que os investimentos vão trazer muito desenvolvimento para o nosso Estado. 

Quem também acredita que a chegada de outras empresas traz benefícios a Pernambuco é José Vitorino Rios Monteiro Neto, um dos três sócios da Ortolite Colchões, de Bezerros (PE). “A vinda de outras empresas para cá é muito positiva, pois gera mais empregos e faz com que o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) intensifique a fiscalização, unificando a certificação e fazendo com que não haja grandes diferenças entre os produtos dos fabricantes que atuam aqui com os de fora”, argumenta.

E não só as indústrias vindas de longe, como a Herval, que é do Rio Grande do Sul, estão optando por se instalar em terras pernambucanas. A baiana Reconflex iniciou suas atividades na fábrica de Caruaru (PE) em julho de 2019. A unidade construída em Pernambuco conta com 55 mil metros quadrados de área, sendo 12 mil de área coberta, e capacidade produtiva de 20 mil colchões/mês. De início, a empresa contratou 130 colabores e investiu pesado em tecnologia, garantindo matéria-prima e mão de obra de qualidade em Caruaru.

Agora, há quem acredite que Pernambuco precisa receber ainda mais investimentos para se consolidar no mercado nacional. “A economia ainda está muito concentrada no Sul e Sudeste, que possuem um grande mercado consumidor, mesmo que tenha desacelerado. A nossa região ainda trabalha com um produto um pouco mais básico, por conta do tíquete médio gasto pelosconsumidores do Norte e Nordeste”, analisa Clayton Brito Delgado, gerente executivo da Móveis Josan, de João Alfredo (PE).   

Leia a reportagem completa clicando aqui e acessando o Especial Pernambuco que fizemos para a edição 21 da Móveis de Valor Norte e Nordeste.

 

*A reportagem foi publicada antes da crise provocada pelo coronavírus.

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