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Se o designer parar de se exibir, o móvel fará sentido às pessoas

Revisado Natalia Concentino - 26 de Março 2026

No Cá Entre Nós dessa semana, Ari Bruno Lorandi trata de design e designers, um pedido de leitores da Móveis de Valor. Lorandi baseia seu comentário em um artigo que leu recentemente sobre o trabalho do designer e o que ele está desenvolvendo, se é algo útil ou se foi feito apenas para buscar prêmios e aplausos. “Ao descrever o trabalho de uma profissional chamada Jill Erwin, o texto de Ray Allegrezza - editor-chefe da Furniture Today - escancara uma verdade que muita gente no setor ainda insiste em ignorar: design não é sobre fazer algo bonito. É sobre fazer algo inevitável. E isso faz toda diferença”, enfatiza.

 

“O design ideal é aquele que, quando você olha, não te chama atenção pelo excesso – mas pela precisão. Você não pensa “que criativo!”. Você pensa: “não poderia ser de outro jeito”. E esse é o nível mais alto do design. Porque por trás dessa aparente simplicidade existe profundidade, repertório e, principalmente, decisão.

 

Decisão de colocar. Mas, principalmente, decisão de não colocar.

 

Existe hoje uma inflação estética no mobiliário. Muita peça tentando provar que é design. Muito detalhe gritando, muito material brigando, muita forma querendo aparecer mais do que a função. É o design que pede aplauso (ou prêmio) – e não o design que resolve.

 

E aqui vai a provocação: quando o móvel precisa explicar demais o que ele é, provavelmente ele falhou.

 

O bom design não se explica. Ele se revela no uso. Ele aparece na ergonomia que funciona sem você perceber, na proporção que acolhe, no material que faz sentido – não porque está na tendência, mas porque pertence àquela peça.

 

Dar vida a um móvel não é sobre desenhar algo diferente. É sobre entender profundamente para quem a peça existe, onde a peça vai viver e qual papel aquela peça precisa cumprir.

 

Um sofá não é só um sofá. É descanso, é convivência, é pausa, é refúgio. Se o design não parte dessa compreensão, ele vira só volume revestido.

 

E aqui entra uma palavra que quase ninguém gosta de usar: disciplina.

 

Design de verdade exige contenção. Exige saber parar antes do excesso. Exige editar, cortar, simplificar. Porque, no fim, sofisticação não é adicionar camadas – é retirar o que não precisa estar ali.

 

E isso é difícil. Muito mais difícil do que seguir tendência, do que replicar referência, do que “dar uma incrementada” para parecer mais elaborado.

 

Talvez por isso exista tanto designer que se esforça demais.

 

O problema é que o mercado começa a pagar esse preço. Quando tudo vira ‘design’, nada mais se destaca. O consumidor não reconhece valor – só vê mais do mesmo com nomes diferentes”.

 

O comentário completo de Lorandi você confere no player acima.

 

leia: Não basta a marca estar no varejo. É preciso merecer estar lá

 

NOTÍCIA

 

Caso do Banco Master muda estrutura acionária da Westwing 

 

A Westwing entrou no radar do mercado de ações, mas é importante esclarecer os fatos. A empresa não está envolvida no caso Banco Master. Uma financeira ligada ao grupo Master, que detinha ações da Westwing, deu em garantia para a Mastercard. 

 

Com a liquidação do Master, as ações da Westwing passaram para a Mastercard. Mas, essa mudança não altera a operação da Westwing, que segue normalmente. Ou seja, trata-se de um movimento financeiro e não um problema no negócio.

 

Além disso, a própria Mastercard já indicou que não tem interesse em permanecer como acionista da companhia.

 

Ainda sobre a Westwing, lembramos que a empresa abriu capital no início de 2021. Nos dias que se seguiram a IPO as ações chegaram a valer mais de R$ 118. Esta semana estavam abaixo de R$ 8. Significa que a empresa perdeu 93% do seu valor no mercado de ações em cinco anos.

 

Mas foi ainda pior para a Mobly – outro canal de vendas de móveis com ações na Bolsa de Valores – que também abriu capital em fevereiro de 2021. As ações precificadas a R$ 21 chegaram a valer R$ 28 na época. Hoje, depois de incorporar a Tok & Stok e mudar para Toky valem R$ 39... centavos. Significa que 98,3% do valor virou pó em pouco mais de 5 anos.

 

Ainda sobre o setor de móveis com ações na Bolsa de Valores, temos a Unicasa como única indústria de móveis na B3. O IPO aconteceu em abril de 2012, com ações sendo cotadas a R$ 16. Hoje a cotação está em R$ 1,49. Quem comprou na época e quer vender hoje receberá menos de 10% do que pagou.

 

Clique no player acima para assistir ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra.

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