Serviços devem liderar o consumo em 2026; bens perdem ritmo
O consumo das famílias brasileiras deve entrar em 2026 puxado pelo setor de serviços, enquanto o varejo de bens tende a perder fôlego, especialmente nos segmentos que dependem de crédito e investimentos de maior valor. É o que aponta um estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo), realizado em parceria com a FIA Business School.
Segundo a projeção, no primeiro trimestre de 2026 o varejo de bens deve registrar retração de 0,48% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o setor de serviços deve crescer 2,8%. O movimento reflete uma mudança estrutural no padrão de consumo, influenciada pela digitalização, pela busca por conveniência e pela valorização de experiências.
De acordo com Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, as famílias tendem a priorizar gastos recorrentes e ligados à experiência, enquanto adiam ou reduzem a compra de bens duráveis. Do lado das empresas, o cenário indica maior foco em eficiência operacional, digitalização e serviços essenciais, com postergação de investimentos considerados discricionários.
No varejo de bens, o crescimento deve se concentrar em segmentos mais ligados ao consumo básico e recorrente. Artigos farmacológicos, médicos e de perfumaria lideram a projeção, com alta de 6,86%, seguidos por vestuário e calçados (2,69%), equipamentos para escritório e comunicação (3,97%) e hipermercados e supermercados (1,02%).
Em contrapartida, os setores mais sensíveis ao crédito e ao ticket médio elevado devem enfrentar retração. Estão nesse grupo automóveis, motos, partes e peças (-2,25%), materiais de construção (-1,75%), móveis e eletrodomésticos (-1,99%) e livros e papelaria (-3,56%).
No campo dos serviços, o avanço será impulsionado principalmente pela consolidação do consumo digital e do modelo sob demanda. Aplicativos de delivery devem crescer 21,2%, seguros residenciais 20,6% e aplicativos de transporte 15,9%. Serviços ligados à experiência — como restaurantes, turismo, shows, academias e spas — também devem registrar desempenho positivo, sobretudo entre consumidores de renda média e alta.
Felisoni ressalta, porém, que a recuperação ao longo de 2026 tende a ser desigual e condicionada à evolução do crédito, da renda real e da confiança do consumidor. No curto prazo, a economia avança mais pelo uso, pela experiência e pelos serviços do que pela compra de bens, reforçando um cenário ainda cauteloso, mas em transformação.
Redação de IA com informações https://mercadoeconsumo.com.br




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