Fusões e aquisições ganham força no setor em 2026 nos EUA
Após um período prolongado de desafios — marcado por juros elevados, incertezas tarifárias e desaceleração do mercado imobiliário — o setor de móveis residenciais nos Estados Unidos inicia um novo ciclo de recuperação. Esse movimento vem acompanhado por um aumento consistente nas operações de fusões e aquisições (M&A), impulsionado por reposicionamentos estratégicos, maior apetite do private equity e melhora gradual do ambiente econômico.
A expectativa é que esse cenário mais favorável se consolide ao longo de 2026, criando um ambiente de negócios mais dinâmico e propício à consolidação do setor.
Private equity volta ao centro das negociações
O capital privado tem ampliado sua presença nos segmentos de móveis e artigos para o lar nas últimas décadas. Em geral, esses investidores buscam saídas entre cinco e sete anos após o aporte inicial, prazo que foi estendido entre 2022 e 2025 devido às condições adversas do mercado.
Com a retomada gradual da atividade econômica, essas empresas voltaram a buscar liquidez. Aquisições estratégicas e ofertas públicas iniciais reaparecem como caminhos viáveis, sinalizando uma nova rodada de consolidação. A tendência é que ativos controlados por private equity continuem sendo negociados em 2026, muitas vezes adquiridos por outros fundos, que passam a promover novas rodadas de investimentos e aquisições.
Ajustes de portfólio e foco estratégico
Grandes fabricantes, varejistas omnichannel e empresas de marcas consolidadas também estão revisando seus portfólios. O objetivo é concentrar recursos em operações centrais, descontinuando ativos considerados não estratégicos.
Entre os principais vetores desse movimento estão a racionalização de portfólios, a busca por escala, a integração omnicanal e a aquisição de marcas digitais para fortalecimento da presença online. Mesmo operações de menor porte, como parcerias regionais, refletem essa lógica de alinhamento estratégico e sinergia operacional.
Confiança econômica reduz riscos extremos
A instabilidade que marcou os últimos anos afetou diretamente a atividade de M&A no setor moveleiro. Com maior previsibilidade em relação a tarifas e uma trajetória mais clara para as taxas de juros, compradores e vendedores voltam a se engajar de forma mais ativa.
Indicadores como confiança do consumidor, atividade industrial e retomada gradual do mercado imobiliário sustentam uma perspectiva mais positiva para o setor. O mercado de móveis nos Estados Unidos, avaliado em cerca de US$ 178,9 bilhões em 2025, tem projeção de crescimento consistente até 2035, reforçando sua atratividade para investidores estratégicos e financeiros.
Demografia impulsiona vendas de negócios
Outro fator relevante é a transição geracional. Muitos empresários da geração baby boomer — proprietários de lojas independentes, distribuidores e fabricantes — estão se aproximando da aposentadoria, o que intensifica discussões sobre sucessão e venda de ativos.
Nos últimos meses, cresceu o número de fundadores buscando liquidez, favorecidos por um mercado mais aquecido e por exemplos recentes de transações bem-sucedidas. Esse movimento tende a equilibrar oferta e demanda por ativos ao longo de 2026.
Perspectivas
De forma geral, a expectativa é de expansão da atividade de fusões e aquisições no setor moveleiro em 2026. A combinação de fatores demográficos, ajustes estratégicos e melhora das condições econômicas indica que a indústria não está apenas se recuperando, mas se reposicionando para um novo ciclo de crescimento e consolidação.
*Por Stuart Stump Mullens – Stump & Company
Publicado originalmente em: https://www.furnituretoday.com




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