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Tarifaço faz exportação de móveis recuar e gerar déficit em 2025

Revisado Natalia Concentino - 10 de Janeiro 2026
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O Brasil encerrou 2025 com déficit na balança comercial de móveis, resultado da diferença entre importações no valor de US$ 950,1 milhões e de exportações de US$ 909,8 milhões, conforme dados do Comex Stat. Em números absolutos a diferença é de US$ 40,3 milhões. Esse desempenho é atribuído em grande parte a elevação de tarifas impostas pelo governo dos EUA que gerou queda de quase 20% dos embarques brasileiros para seu principal mercado – o Brasil deixou de vender ao mercado americano US$ 49,3 milhões, valor suficiente para reverter o déficit em superávit.

 

Países com os quais o Brasil costuma ter uma boa participação, elevaram substancialmente suas compras no ano passado. Caso da Argentina que registrou um crescimento de 28,8% sobre 2024 (US$ 108,9 milhões), do Paraguai com 27,3% (US$ 50,6 milhões) e do Chile com 24,3% (US$ 66,9 milhões). Com volumes menos expressivos, outros mercados também surpreenderam positivamente, como México, que aumentou os pedidos em quase 60% (US$ 25,0 milhões em 2024 para US$ cerca de US$ 40 milhões em 2025). Também estão nesse grupo Porto Rico (43,1%) e Alemanha (+40%). 

 

Deve se considerar ainda os esforços de um grupo de países menos tradicionais e com compras irregulares, como a República Tcheca, que em 2025 elevou as compras em 149%, na faixa de US$ 3,7 milhões; Israel, que aumentou em 249%, na faixa de US$ 1,2 milhão; e Congo, que em 2024 adquiriu US$ 199 mil e ano passado contabilizou quase US$ 1,9 milhão, alta de 851%. 

 

Destinos conhecidos do Brasil, como Reino Unido, Peru e Bolívia, que costumeiramente aparecem no grupo dos 20 principais mercados com volumes bem encorpados, desta vez decepcionaram ao apresentarem recuos de 16,3%, 28,6% e 20,9%, nessa ordem.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, o polo de Santa Catarina não consegue avançar para além da faixa de US$ 260 milhões nas exportações. Em 2025 foram US$ 263,6 milhões, 1,7% acima do ano anterior, insuficiente para manter a liderança nos embarques brasileiros. A vaga foi ocupada pelo Rio Grande do Sul, com US$ 264,7 milhões, apesar do desempenho 2,8% inferior ao de 2024. O que pesou no polo catarinense foram os US$ 14,8 milhões a menos que deixou de embarcar para os EUA. Não é a primeira vez: em 2023, o polo deixou de embarcar US$ 78 milhões no cotejo com o ano anterior – e não havia Trump.

 

Campeã absoluta de vendas para os EUA, São Bento do Sul teve o menor desempenho em uma década, com exportações de apenas US$ 36,9 milhões, ou seja, US$ 8,4 milhões a menos em relação ao ano anterior – queda de 18,6%. Para se ter ideia desse tombo, a média anual de embarques do polo para o mercado norte-americano entre 2016 e 2024 se situaram na faixa de US$ 64,1 milhões.

 

leia: Tarifaço faz exportações despencarem em agosto

 

Importações batem novo recorde

 

As importações da China não param de bater recorde. Em 2025 o volume de US$ 448,3 milhões revela alta de 7,1% sobre o ano imediatamente anterior – quase US$ 30 milhões a mais. Para se ter ideia dessa grandeza, a média das compras chinesas entre 2016 e 2024 é de US$ 289,2 milhões. A participação do país asiático foi de 47,1% sobre o total, praticamente repetindo o mesmo índice do ano anterior – o recorde da década 2016-2025 continua sendo 2021, com participação de 48,3%.

 

A soma total das importações brasileiras em 2025, de US$ 950,1 milhões, corresponde a um incremento de 7,7% sobre 2024, estabelecendo um novo patamar nas transações internacionais. Até então, o melhor resultado tinha sido exatamente o ano passado, com US$ 881,5 milhões. Juntos, os estados de São Paulo e Santa Catarina dominaram o cenário com 60,2% das compras externas ano passado, somando US$ 572,2 milhões.

 

Veja todos os detalhes nos quadros abaixo.

 

 

 

 

 

 

 

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