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Importações abastecem 10% dos móveis vendidos hoje no Brasil

A expansão das exportações de móveis do 1º semestre não estão se sustentando nos dois primeiros meses do 2º semestre. As vendas externas entre janeiro e junho registraram alta de 70,5% em comparação com igual período de 2020. Porém, a soma até julho recuou para 78,1% e o total do ano até agosto caiu novamente para 62,6%. Não significa que o número de 646,8 milhões de dólares exportados até agosto seja insignificante, mesmo quando comparado a um ano pífio como foi 2020. No, entanto, nota-se uma perda importante que pode levar o total do ano a ficar abaixo de 1 bilhão de dólares, mais provável que a alta fique na casa de 35% na comparação com 2020.

Mas, antes de comemorar as vendas externas, é importante observar que o maior problema está sendo visto pelo lado das importações de móveis que não param de subir. De janeiro a junho a alta era de 33,6%; até julho, 39,4% e de janeiro a agosto saltou 46% na comparação com igual período de 2020. E mais preocupante: deste total, 62% vêm da China.

Estes números, claro, tornam a balança comercial do setor de móveis deficitária. Para se ter ideia, enquanto as exportações dos primeiros oito meses do ano aumentaram para 646,8 milhões de dólares, as importações subiram para 744,1 milhões, ou seja, 15% mais.

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Assim, o déficit alcança 13,1 pontos percentuais até agosto. É bom lembrar que o ano de 2020 fechou com superavit de 32%., ou seja, 691,3 milhões de dólares de exportações e 523,6 milhões em importações. Estes dados se referem a Posição SH4 9401, 9403 e 9404 da Secex.

Para concluir esta análise, um alerta se faz necessário, embora não vá mudar as coisas: pela primeira vez na história, as importações de móveis devem bater em 1 bilhão de dólares. O que isso significa? Guardadas as proporções pelo fato de que também são importados componentes e peças, está sendo despejado no mercado interno mais de R$ 5 bilhões, o que significa mais de 10% do faturamento das indústrias moveleiras do País neste ano.

Por Ari Bruno Lorandi

CEO do Intelligence Group e presidente do Instituto Impulso

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Ari Bruno Lorandi

Jornalista profissional com mais de 40 anos de atividades. Atua em estratégias de comunicação e marketing no setor moveleiro há 30 anos. É Diretor de marketing do Intelligence Group do Brasil, empresa de comunicação e marketing com sede em Curitiba. A empresa publica a revista Móveis de Valor, Móveis de Valor Norte & Nordeste, Anuário de Colchões Brasil e criou a primeira TV do setor moveleiro no mundo em atividade desde 2008.