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Latam Retail Show aponta caminhos para o varejo

O crescimento da economia brasileira para este ano, projetado em 5%, apresenta um aspecto positivo: a “poupança forçada” de cerca de R$ 90 bilhões em poder atualmente de uma massa da população, recursos que tem potencial para migrar para setores como varejo, viagens e veículos nesse ano e no próximo. A projeção foi feita por Marcelo Alain, sócio da Gouvêa Analytics, no painel Cenários Macroeconômicos 2021/2022 que integra a programação da Latam Retail Show, maior evento de varejo e consumo B2B da América Latina, que encerra hoje.

“Mesmo com auxilio emergencial, as pessoas economizaram”, informa o economista, acrescentando que com 68% da população vacinada com a primeira dose, o consumidor começa a circular com mais desenvoltura, mudando o padrão de consumo que vigorou até então centrado no ambiente digital, e isso reforça as projeções do comércio. Mas aponta alguns riscos nesse cenário, como a inflação em patamar elevado, a tendência de alta da taxa de juro, a crise hídrica e, principalmente, a instabilidade política.

Para Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral da Gouvêa de Souza, o comportamento do consumo depende basicamente de renda, emprego, crédito e confiança. “A renda não tem registrado crescimento significativo, o desemprego afeta 15 milhões de pessoas, o crédito está disponível mas encareceu. A questão é a confiança, que pode antecipar ou postergar demanda”, aponta, acrescentando que a vontade de comprar esbarra na insegurança em relação ao futuro, devido a volatilidade que se vê hoje no Brasil.

O Design na Experiência 5.0

Uma venda começa muito antes de o consumidor entrar em uma loja. É preciso gerar experiências para entendê-lo, encantá-lo, dar um tom de humanização e explorar as sensações. Estes temas dominaram o debate sobre Design na Experiências 5.0, com as presenças das empresárias Ana Carolina Navarro, proprietária da Dra. Cherie, e Samanta Piacini, CEO da Lemon Basics Boutique.

A Dra. Cherie é uma rede de lojas que nasceu na sala de jantar da família fazendo jalecos e hoje conta com quatro pontos e um mix de produtos que abrange itens destinados a área da saúde e peças para dormir. “Começamos criado experiências internas para os funcionários. Ele precisa saber o que esperamos dele. E um dos nossos valores é o momento UAU, algo arrebatador”, conta Ana Carolina. “Outra experiência foi colocar um café dentro da loja. A ideia surgiu após as clientes perguntarem onde tinha um local perto para tomar café, e deu tão certo que o café tem potencial para ser um negócio a parte”, planeja.

Com o propósito de inspirar um estilo de vida com mais versatilidade, Samanta Piacini deu largada em 2015 a primeira marca de peças básicas de luxo no Brasil. A Leman Basics Boutique iniciou suas atividades de forma online, no ano seguinte adicionou a venda em lojas multimarcas e mais tarde no formato Pop Up Store, em São Paulo e Porto Alegre. No aspecto sensorial, a empresária criou um aroma à base de limão para a marca ficar na lembrança da clientela. “O próximo passo é atrelar o nosso conceito com a arte”, adianta Samanta.

Ecossistemas de negócios

“Para construir um ecossistema é preciso fazer alianças com outros ecossistemas para ter 100% de sucesso. Nós acreditamos que temos uma capacidade maior na hora de monetizar os clientes. O grande desafio é convencer o mercado que estamos mudando e saindo do modelo convencional para um grande ecossistema”. O comentário é de Sebastien Durchon, vice-presidente e Chief Integration Officer do Grupo Carrefour. “Os ecossistemas de negócio têm muito a ver com a visão que se deve ter do futuro para continuar crescendo e fidelizar o cliente”. emendou o executivo durante painel sobre tendências do ecossistema de negócios e impactos nos modelos de gestão empresarial.

Com a recente compra do BIG, o Carrefour vai atingir 60 milhões de clientes, 15 milhões a mais do número atual.

Alex Salgado, vice-presidente executivo do B2B da Telefônica Brasil – Vivo, falou sobre a transformação que vem incorporando o ecossistema nos últimos anos dentro de seu negócio, que tem contribuído para aumentar o valor de receita e expandir a base de engajamento com o consumidor. “Dentro do nosso propósito e visão de crescimento e rentabilização do negócio, temos expandido nosso ecossistema por meio de lojas físicas, serviços e experiências. Desta forma, trazemos para dentro do nosso mercado uma série de conveniências para atender as necessidades e facilitar a vida dos clientes”, contou.

Salgado citou novidades, como o ingresso no segmento de telemedicina com a Teladoc Health para fornecer o serviço para pessoas físicas e empresas, por meio de uma nova plataforma digital de saúde e bem-estar. A empresa também possui diversas parcerias para facilitar o acesso ao ensino a distância por meio de suas plataformas digitais de educação. Por fim, falou do 5G. “Será uma geração de oportunidade para todos os segmentos, já que potencializará os negócios das organizações”, disse.

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Educação Profissionalizante

O painel Geração de Riqueza e Inclusão Social por meio do Trabalho discutiu ideias e projetos para estimular a inclusão de jovens no mercado de trabalho por meio da educação e, assim, gerar renda a pessoas em situação de vulnerabilidade. O debate em conjunto com outros representantes do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV) concentrou-se no S de ESG justamente pelo atual momento que se encontra o Brasil.

“O desemprego foi geral durante a pandemia e a situação só vai mudar com a união entre a iniciativa privada e a sociedade civil. Só vai mudar com empresários se mobilizando”, convocou a presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano. “O empresário precisa assumir o papel de liderança”, completou a empresária.

“Estamos assistindo o futuro do país, o futuro das nossas crianças”, disse Júlio Campos, presidente da UMP, holding independente da Unilever dedicada ao desenvolvimento de marketplaces digitais. E acrescentou: “É responsabilidade do mundo empresarial levar oportunidades nas áreas em que os jovens se encontram, facilitando o acesso à educação e trabalho e evitando o caminho da marginalidade. E a Luiza Helena entende muito bem as dores que os jovens têm por experiência própria”, finalizou.

Luiza Helena informou que no Grupo Mulheres do Brasil, criado há oito anos, há 100 mil mulheres se mobilizando e que todas têm compromisso com a democracia, liberdade e educação para todos. Elas estão planejando projetos nas áreas de Educação, Saúde, Emprego para até 2032. Entre esses projetos, é aumentar o percentual de mulheres em cadeiras políticas. O objetivo é chegar a 50% das cadeiras.

Um ponto salientado no debate foi o ensino profissionalizante. “A educação produz resultados”, frisou Juliano Ohta, diretor-geral da Telhanorte. “A ponta é a nossa maior vantagem e também o nosso maior gargalo”, observou. “Quando a pessoa aprende a vender, ela nunca mais passa fome. A venda é o combustível de qualquer negócio”, disse Luiza Helena, frisando que precisa ser venda baseada no servir o consumidor, no vender honestamente. “O mal vendedor empurra um produto, não sabe servir, não sabe vender o que o cliente realmente precisa”.

Luís Norberto Pascoal, presidente da DPaschoal, concluiu: “Acredito muito no mundo colocando a mulher como empreendedora social”.

 

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