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Mulheres ainda lutam para ocupar cargos de liderança, diz pesquisa

A agência de marketing digital TRIWI realizou uma pesquisa para saber qual é a representatividade das mulheres no mercado de trabalho brasileiro entre os dias 04 e 17 de agosto deste ano. E, embora se fale muito sobre as conquistas das mulheres na busca pelo sucesso profissional, a realidade ainda não é a ideal, principalmente para as mulheres negras e as que possuem algum tipo de deficiência.

A pesquisa denominada “Representatividade das Mulheres nas Empresas” ouviu 2.542 empresas dos seguintes setores: serviço (53,2%), indústria (30,6%) e comércio (16,1%); as empresas estão nas regiões sudeste (45,2%), centro-oeste (14,5%), sul (17,7%), norte (11,3%) e nordeste (11,3%), sendo que 45,2% delas possuem mais de 500 funcionários. E o objetivo era entender qual a representatividade das mulheres no meio corporativo.  Entre as perguntas, está o questionamento sobre a existência de mulheres negras em cargos de chefia, assim como mulheres com deficiência. Há ainda a indagação sobre grau de escolaridade, espaço para mães no quadro de funcionários e existência de algum canal de denúncia contra violência, entre outras.

“Nós queríamos muito saber sobre a participação das mulheres no mercado, já que se fala bastante sobre isso. Sentimos a necessidade de realizar a pesquisa quando percebemos que faltavam informações sobre isso e, até mesmo, pela minha experiência em grandes empresas, me recordo que a maioria dos diretores delas eram homens, por isso, resolvemos descobrir o que de fato está acontecendo”, explica Ricardo Martins, CEO da TRIWI.

Ricardo Martins, CEO da agência de marketing TRIWI, responsável pela pesquisa

E essa experiência e curiosidade de Ricardo também se baseiam muito em suas vivências em família e na sua empresa. “Aqui na TRIWI 50% da nossa equipe é formada por mulheres, inclusive, a minha sócia é uma mulher. Fui criado por três mulheres muito fortes e nunca contei com a presença de um pai, então já estou acostumado a estar cercado por mulheres em meu dia a dia, mas sei que nem todas as empresas e seus administradores têm essa mentalidade, fazendo com que muitas mulheres super competentes ocupem cargos de menor prestígio ou nem façam parte do quadro de funcionários”, reflete Ricardo. Ele ainda desafia alguns empresários conservadores: “me pergunte sobre uma profissional capacitada para ocupar um cargo de qualquer área na sua empresa que posso lhe passar uma lista de mulheres competentes”.

Dados revelam desigualdade

O percentual de mulheres nas empresas ainda é baixo, revelando a desigualdade entre os gêneros. Apenas 27,4% das empresas entrevistadas contam mais de 51% do quadro de funcionários representado por mulheres e 53,2% das empresas contam com até 30%.

Quando perguntado sobre o percentual de mulheres negras na empresa a pesquisa aponta que 46,8% das empresas entrevistadas contam com apenas 10% do quadro de funcionárias representado por mulheres negras. Seguido pelo alarmante resultado que 24,2% das empresas não contarem com mulheres negras no quadro de funcionários.

A pesquisa apontou ainda que 69,4% das empresas entrevistadas não contam com colaboradoras mulheres com alguma deficiência física.

Sobre mães no mercado de trabalho, a pesquisa mostra que 35,5% das empresas possuem pelo menos 10% do quadro de funcionários formado por mães. Seguido por 32,3% das empresas que possuem entre 11% a 30% delas.

Outra questão abordada foi qual o percentual de mulheres que ocupam o cargo de chefia. A pesquisa revelou que 27,4% das empresas entrevistadas não possuem mulheres em cargo de chefia e 32,3% das empresas contam com até 10% de mulheres no comando.

A pesquisa ainda confirmou que em 48,4% das empresas entrevistadas as mulheres ganham menos que os homens. Apenas em 3,2% das empresas as mulheres ganham mais que os homens e em 19,4% das empresas as mulheres ganham salários iguais aos dos homens.

Ainda foi perguntado se as empresas possuem algum canal exclusivo de denúncias relativo a assédio: A maioria absoluta respondeu que não há nenhum canal e, somente, 9,7% apontaram que há este canal na empresa.

Apesar de todos os desafios, a pesquisa apontou que o nível de escolaridade das mulheres nas empresas é alto, 79% das empresas entrevistadas contam com mulheres com nível superior ou acima.

A entrevista abordou empresas de todos os portes, 22,6% das empresas entrevistadas contam com mais de 1.000 funcionários, 22,6% entre 501 a 1.000 funcionários, 17,7% entre 201 a 500 funcionários, 9,7% entre 51 a 200 funcionários, 12,9% entre 11 a 50 funcionários e 14,5% entre 2 a 10 funcionários.

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O que se pode concluir?

O CEO da TRIWI tirou algumas conclusões com base nos dados obtidos no levamento. “Apesar de muito se falar, ainda tem poucas mulheres no mercado. A contratação de mulheres deve acontecer de forma natural e não como uma obrigação. Digo o mesmo no caso da contratação de PCDs (pessoas com deficiência), pois ainda há um preconceito e uma desconfiança em relação às suas capacidades, principalmente das mulheres PCDs”, opina.

Ricardo Martins aproveita para fazer uma sugestão no caso da inclusão de PCDs. “Seria importante fazer políticas de incentivo em um primeiro momento, servindo mais para quebrar o preconceito. Hoje a contratação de pessoas com deficiência é uma obrigação e, por isso, muitas empresas as colocam para executar serviços mal remunerados, com funções mais simples e não dão muita abertura para que o profissional cresça dentro da empresa”.

Ele aproveita para comentar sobre os dados relativos às mulheres em posição de liderança. “Existem muitas mulheres capacitadas para ocupar esses cargos de chefia, só que o problema é que quando elas atingem esse tipo de posição ainda acabam ganhando menos que os homens, em muitas situações”.

Ricardo ainda dá exemplos de situações que presenciou durante sua trajetória no mercado de trabalho, que fortalecem ainda mais seu ponto de vista sobre o preconceito e reforçam os dados da pesquisa. “Eu já tive um diretor que falava que não era bom contratar mulheres recém-casadas, pois elas tinham mais chances de engravidar. Fora que vi minha própria mãe, mesmo com todas as suas graduações, tendo sua capacidade posta em xeque pelo simples fato de ser mulher, o que não permitiu que ela assumisse alguns cargos durante a carreira”, recorda-se.

Outro aspecto interessante de salientar é que a pesquisa foi enviada ao departamento de Recursos Humanos de cada empresa para que fosse respondida pelo gerente ou diretor de RH (independente do gênero) de forma anônima. “Acreditamos que essa seria a melhor forma de responder os questionamentos, pois quem atua no RH tem acesso a esse tipo de informação. Tanto que tivemos uma boa participação na pesquisa e boa aceitação”, diz o CEO da TRIWI.

 

*No Anuário de Colchões 2021 você encontrará alguns relatos de mulheres que assumiram cargos de liderança no setor colchoeiro e hoje servem de inspiração para as demais profissionais.

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