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Qual o plano da Mobly para seguir crescendo depois do pico?

As empresas no segmento de compra online de itens para casa tiveram um último trimestre difícil para comparações anuais. No segundo trimestre de 2020, o país estava no pico da pandemia de Covid-19. Com as pessoas isoladas em suas residências, cresceu a demanda tanto pelo e-commerce quanto pela compra de decoração e móveis.

Com base em dados coletados em junho deste ano pela Mastercard, as vendas no e-commerce tiveram queda de 13,2% na comparação com o mesmo mês de 2020. No setor de móveis, a baixa foi de 53,1%. As companhias do setor precisam agora trabalhar mais para manter a demanda crescente.

Foi o caso, por exemplo, da Mobly. A empresa de móveis e decoração divulgou nesta terça-feira (10) seu balanço do segundo trimestre de 2021. O momento pediu marketing, redução de margens, prazos de entrega menores e expansão de lojas para manter um volume bruto de mercadorias estável. Mesmo assim, a empresa ampliou sua receita líquida.

O InfoMoney conversou com Victor Noda, cofundador da Mobly, sobre os resultados do segundo trimestre e os planos para os trimestres seguintes.

Foram mais de 321 mil pedidos no segundo trimestre de 2021. O volume bruto de mercadorias ficou estável em R$ 247,4 milhões, alta de 0,4% na comparação entre o segundo trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021.

Mesmo com um GMV (Gross Merchandise Value, ou Valor Bruto da Mercadoria) estável, a receita líquida cresceu: a Mobly registrou alta de 38,6% na mesma base de comparação, para R$ 175,7 milhões. Segundo Noda, o aumento da receita líquida apesar de um volume similar de mercadorias aconteceu porque a empresa reduziu seu prazo de entrega e reconheceu mais vendas ao longo do trimestre. O prazo médio de entrega no país caiu de 19,3 para 12,5 dias na comparação entre 1º tri de 2021 e 2º tri de 2021.

Outro ponto importante foi a ampliação de antecipação de recebíveis para os fornecedores. “Dos nossos fornecedores nacionais, 34% estão operando com a antecipação, que introduzimos no começo do ano. Apesar de reduzir nosso próprio prazo de pagamento, o vendedor não precisa recorrer a financiamentos mais caros para pagar matéria-prima ou funcionários. Então, o produto acaba custando menos. Esse desconto pode permitir uma margem maior para nós, ou baixamos o preço ao consumidor. Vimos que o mais gerava lucro para a empresa era a segunda opção.”

A Mobly repassou os custos menores dos fornecedores e seguiu investindo em marketing para manter seu crescimento. “Vimos uma queda no e-commerce em comparação anual a partir de junho. Então, os marketplaces se tornaram mais agressivos em campanhas de desconto aos clientes”, diz Noda. Houve um aumento de 84,1% nos investimentos de marketing, na comparação entre o segundo trimestre deste ano com o mesmo período de 2020.

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A lucratividade na primeira compra (first order profitability) estava em 140% em 2020. Neste segundo trimestre, foi reduzida para 115%. “Nosso objetivo é ficar acima de 100%, o que significa que não dependemos de uma segunda compra para gerar lucro. Vimos um ponto ideal de eficiência em 115%, porque assim não deixamos crescimento na mesa. Menos do que isso, o crescimento não compensa a rentabilidade”. Por outro lado, a Mobly reduziu seus custos logísticos pela abertura de um centro de distribuição em Belo Horizonte, pela expansão da empresa própria de última milha Moblylog e pelo aumento de participação das lojas físicas nas vendas.

Com uma situação mais controlada da pandemia, a participação das lojas subiu de 3% para 14% na comparação entre os segundos trimestres de 2020 e 2021. O GMV das lojas cresceu 346,3%, na mesma base de comparação. A Mobly tem hoje três megastores, quatro outlets e cinco franquias. Já a Moblylog foi responsável por 49,2% das entregas, ante 44% no primeiro trimestre de 2021.

O prejuízo líquido foi de R$ 17 milhões no segundo trimestre deste ano, ante R$ 25,5 milhões no primeiro trimestre. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o prejuízo aumentou 123,7%. Na época, era de R$ 7,6 milhões.

A Mobly teve poucas despesas relacionadas à sua abertura de capital, que haviam impactado o prejuízo do primeiro tri. Desta vez, o impacto veio de um plano de stock options.

“Foram para essa provisão R$ 3,26 milhões dos R$ 17 milhões. Mas nosso resultado financeiro [uma linha acima do prejuízo, no balanço] foi positivo pela primeira vez na história. Repagamos dívidas e paramos de antecipar recebíveis para nossa própria operação”, diz Noda.

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Perspectivas para os próximos trimestres

A Mobly espera reduzir ainda mais seu prazo de entrega. O lançamento de um centro de distribuição em Cajamar (São Paulo), previsto para o terceiro trimestre, deverá reduzir o prazo médio de entrega no país em dois dias, indo para 10,5 dias. Esse impacto no prazo deve ser sentido a partir de setembro deste ano.

No total, a Mobly ficará com quatro centros de distribuição. Também está nos planos o primeiro CD na região Nordeste. “Esperamos mais uma melhora no percentual de entrega no prazo. Sofremos muito com isso durante a pandemia. As fábricas ou estavam fechadas, ou abertas com muita demanda acumulada. Esse quadro se estabilizou neste ano e fechamos com 94% das entregas no prazo, nosso melhor índice histórico”, diz Noda.

A empresa também aumentou o investimento em lojas físicas, de olho em uma retomada do consumo presencial. A empresa pretende abrir um outlet e três megastores nos próximos trimestres, para atender a cidade de São Paulo e a região do ABC.

“Queremos aumentar aquela participação de 14% das lojas físicas. Em cinco anos, o número deve chegar perto de 35% das vendas. A loja tem papéis estratégicos: ajuda em construção e engajamento de marca, o que aumenta a venda inclusive no nosso e-commerce. Verificamos que as vendas online em um raio de 5 quilômetros das lojas crescem após suas inaugurações. As unidades físicas também atuam como hubs logísticos, suportando nossos modelos de retire na loja e ship from store”, diz Noda.

Por outro lado, a Mobly também espera que a escassez de matérias-primas continue no segundo semestre de 2021. “A indústria segue sofrendo com aumento de preços, especialmente em itens como chapas de madeira e metais. Apenas em julho e agosto, o preço dessas chapas cresceu 13% a cada mês”, diz Noda.

O cofundador da Mobly espera continuar crescendo em métricas como GMV e receita líquida nos próximos trimestres – mas o terceiro trimestre de 2020 também foi forte. “Vemos uma dinâmica parecida com a do segundo trimestre, em que o comparável com o ano passado será difícil. Foram três meses cheios de lockdown entre julho e setembro de 2020. Será desafiador. Mas, embora o mercado como um todo esteja apontando para uma retração por conta dessa comparação, não projetamos uma queda em comparação com 2020. E, em comparação com 2019, projetamos um crescimento bem acelerado. Vamos nos posicionar bem para o quarto trimestre, que terá a Black Friday.”

(Com informações Info Money)

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