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Tarifas reduzem renda e pressionam consumo de móveis nos EUA

Revisado João Caetano - 11 de Fevereiro 2026
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A política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduziu em cerca de US$ 1.000 a renda média das famílias americanas em 2025. Para 2026, o impacto pode chegar a US$ 1.300, caso as atuais taxas sejam mantidas. A estimativa é de um novo estudo da Tax Foundation. 

 

De acordo com a entidade, as tarifas representam “o maior aumento de impostos nos EUA em percentual do PIB V”, ampliando a pressão sobre os orçamentos familiares em um momento em que o consumidor segue cauteloso com gastos discricionários, como mobiliário doméstico. 

 

Impacto direto no setor moveleiro

Para a indústria de móveis, o cenário é sensível. Compras de maior valor dependem diretamente da confiança do consumidor e do dinamismo do mercado imobiliário. Com parte da renda comprometida por custos adicionais, há tendência de priorização de itens essenciais, adiando investimentos em bens duráveis. Executivos do setor já vinham alertando que o aumento nos custos de importação tende a se espalhar ao longo da cadeia de suprimentos, chegando inevitavelmente ao varejo.

 

Arrecadação abaixo do discurso oficial

O estudo aponta que o governo federal arrecadou aproximadamente US$ 264 bilhões em receitas tarifárias em 2025, valor inferior aos trilhões mencionados pela Casa Branca. 

 

Os analistas também concluem que o efeito das tarifas deve neutralizar parte dos benefícios econômicos associados aos recentes cortes de impostos promovidos pelo governo. Segundo a Tax Foundation, a taxa média efetiva de tarifas nos Estados Unidos saltou de cerca de 2% em 2024 para aproximadamente 10% em 2025 - o maior nível desde 1946.

 

Leia: Tarifaço faz exportação de móveis recuar e gerar déficit em 2025

 

Pressão sobre preços

Embora as tarifas tenham oscilado ao longo do último ano durante negociações comerciais, elas afetaram amplamente produtos não fabricados internamente, como eletrônicos, brinquedos, automóveis e alimentos importados. 

 

Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho mostram altas expressivas em produtos básicos: café (+33,6%), carne moída (+19,3%), alface romana (+16,8%) e suco de laranja congelado (+12,4%). A inflação anual, por sua vez, fechou dezembro em 2,7%, praticamente estável desde o início do novo mandato presidencial. 

 

Governo contesta conclusões

A Casa Branca contestou as conclusões do relatório, argumentando que indicadores mais amplos da economia apresentam desempenho positivo, como crescimento do PIB, avanço dos salários reais e fluxo de investimentos produtivos. 

 

Para o setor moveleiro brasileiro, o tema merece atenção. O comportamento do consumidor americano influencia diretamente o ritmo das importações e, consequentemente, o desempenho das exportações brasileiras para aquele mercado.

 

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