IMG-LOGO

10 anos de sobe e desce expõe o esgotamento do modelo moveleiro

Por Natalia Concentino - 11 de Fevereiro 2026

Ari Bruno Lorandi analisa nessa edição do Cá Entre Nós a produção física de móveis no Brasil nos últimos dez anos, o que, segundo ele, traz um recado nada confortável. “O setor entra num sobe e desce constante, com poucas fases de crescimento sustentado e muitas quedas recorrentes. Não é um acidente. É padrão. Os números do IBGE mostram isso com clareza. Mesmo quando a indústria reage, como aconteceu em 2024, o fôlego é curto. Em 2025, o sinal já volta a ser negativo. Ou seja, o setor cresce, mas não se sustenta”, afirma.

 

Segundo o apresentador, quando se amplia o olhar para os grandes polos do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul –, a história é praticamente a mesma. “Oscilações fortes, picos isolados e recuos frequentes. Isso indica que o problema não está numa fábrica específica ou numa região. Ele está na lógica da cadeia.

 

Aqui entra o ponto mais importante desse alerta: a indústria moveleira é o meio da cadeia, não o fim. Produção fraca não é só custo, escassez de mão de obra, ou capacidade fabril. É reflexo direto de como o móvel está sendo consumido – ou deixado de ser consumido – no Brasil.

 

Nos últimos anos, o setor ficou preso a um círculo vicioso. A demanda cai, a produção reduz. A demanda reage um pouco, a indústria volta, mas sem base sólida. Falta consistência. Falta estratégia pensada a partir do consumidor”.

 

E conclui: “Romper esse círculo vicioso virou questão estratégica. Não é sobre produzir mais. É sobre vender melhor, gerar valor e reconectar o móvel ao desejo do consumidor. Os números não são apenas estatística - são um sinal de alerta de que o modelo atual chegou no limite”.

 

O comentário completo você confere no player acima.

 

ENTREVISTA

 

Ari Bruno Lorandi e Hélio Antonio Silva, conversaram durante a Movelpar. Durante esse encontro, Lorandi buscou a opinião do CEO da Castor sobre o que nos reserva o ano de 2026 em relação ao consumo de móveis e colchões.

 

NOTÍCIAS

 

Mais taxa na importação de poliol? 

 

Em julho de 2025, o governo brasileiro aplicou medidas antidumping sobre a importação de poliol da China e dos Estados Unidos, a pedido da Dow Química Brasil. As sobretaxas quase dobraram o custo do principal insumo da indústria de colchões e estofados. Agora, segundo fonte do setor, a Dow solicitou ao MDIC uma tarifa adicional de 8% sobre o poliol importado de todos os países, elevando a taxa de atual de 12% para 20%. Caso avance, a iniciativa da Dow volta a impactar toda a cadeia industrial dependente do insumo no Brasil.

 

leia: A força estratégica do Fator Local na busca do mercado externo

 

Quantidade é mais importante que qualidade?

 

A julgar pelos números divulgados pelos organizadores, a resposta parece positiva. Nas duas primeiras feiras do calendário deste ano, a Femur, em Ubá, anunciou quase 17 mil visitantes, enquanto a estimativa para a Movelpar foi de um público superior a 19 mil pessoas. Enquanto isso, a imm cologne, que reuniu 339 expositores de 28 países, registrou pouco mais de 10 mil visitantes únicos. A Maison&Objet, em Paris, com cerca de dois mil expositores, recebeu aproximadamente 60 mil visitantes de 148 nacionalidades.

 

Os dados reforçam um ponto central: em feiras de negócios, não é a quantidade que determina o sucesso, mas a qualidade do público. O que realmente importa são contatos qualificados e geração efetiva de negócios.

 

A produção de móveis em 2025 reverteu a alta de 2024

 

A análise dos números divulgados mensalmente pelo IBGE mostra uma verdadeira gangorra nos índices de produção de móveis em 2025. O ano começou sinalizando forte alta, com pico de quase 12% em março, mas a partir daí começou e cair. E não parou mais até atingir o primeiro índice negativo em novembro, e dezembro acentuou a queda com 5,4% na comparação com o mês anterior, elevando a taxa acumulada no ano para -1,2%. Isso é preocupante e acende o alerta para os dados de janeiro que o IBGE só vai divulgar dia 6 de março.

 

Clique no player acima e assista ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra.

Comentários