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O jogo americano mudou. O moveleiro brasileiro entendeu?

Por Natalia Concentino - 16 de Janeiro 2026

Ari Bruno Lorandi fala sobre Segurança Nacional nos EUA: o novo filtro contra o móvel importado, no Cá Entre Nós dessa semana. O apresentador lembra da expectativa que foi criada sobre uma nova oportunidade para o móvel brasileiro após uma mudança de política..., mas não deve ser bem assim. “Ocorre que a chamada Estratégia de Segurança Nacional, divulgada pela administração do Trump, amplia o conceito de segurança para muito além de defesa militar. Entra nessa conta independência econômica, resiliência da cadeia produtiva, produção doméstica, energia, mão de obra e controle de fronteiras”, alerta.

 

Lorandi traduz o que isso quer dizer: “decisões que antes eram tomadas com base em custo, eficiência e competitividade agora passam por um filtro político e estratégico. E quando isso acontece, previsibilidade deixa de existir.

 

O documento sugere que tarifas e restrições deixam de ser ferramentas temporárias de negociação e passam a fazer parte do ‘novo normal’. A China segue tratada como concorrente estratégico — e não parceiro —, mas isso não significa que outros países estejam automaticamente livres de escrutínio. Vietnã, Índia, Malásia, México… todos entram no radar conforme ganham relevância.

 

Ou seja: apostar que os EUA vão simplesmente ‘abrir’ para o móvel brasileiro é, no mínimo, arriscado. O jogo lá é menos sobre quem produz melhor ou mais barato, e mais sobre quem se encaixa na lógica de segurança nacional americana”.

 

O apresentador observa outro ponto importante, que é a mudança de mentalidade nas cadeias de suprimento. “Durante décadas, o setor moveleiro global foi guiado pela eficiência máxima e pelo menor custo possível. Agora, o discurso é de resiliência. Cadeias mais curtas, menor dependência externa, produção mais próxima do consumo

 

Some-se a isso a questão da mão de obra. Ao tratar imigração e controle de fronteiras como temas centrais de segurança, os EUA tendem a enfrentar pressões sobre custos industriais, logística e distribuição. Isso acelera automação, encarece operações e, novamente, aumenta a imprevisibilidade para quem está tentando vender lá dentro”.

 

Lorandi acredita que, diante desse cenário, a conclusão é menos romântica e muito mais estratégica. “Talvez o melhor caminho para a indústria moveleira brasileira não seja insistir em uma aposta quase binária nos Estados Unidos. Diversificar mercados, olhar com mais atenção para América Latina, Oriente Médio, África e até nichos específicos na Europa pode ser muito mais inteligente do que esperar uma virada estrutural da política americana”, analisa.

 

O comentário completo do Cá Entre Nós você confere no player acima.

 

leia: Venezuela, risco-país e o custo a quem não confronta nem lidera

 

NOTÍCIAS

 

Produção de móveis fecha 2025 praticamente estagnada

 

A leve alta de 0,6% em outubro na comparação com setembro, não foi suficiente para deixar o nível de produção positivo em novembro quando recuou 0,5% na comparação com o mês anterior. Com este desempenho, de janeiro a novembro a queda no volume produzido subiu de 0,3% para 0,9%, sinalizando que na melhor das hipóteses fechará 2025 estagnada.

 

O desempenho da indústria moveleira foi bom no começo do ano, mas a partir de abril foi ladeira abaixo, com leve recuperação em junho e julho, mas perdendo fôlego a partir de agosto.

 

Alta no preço de móveis equilibra com IPCA geral em 2025

 

A variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA – geral chegou a 4,26% de janeiro a dezembro. O índice de móveis ficou apenas 0,19% acima, segundo dados do IBGE.

Por segmento, a maior alta foi verificada em móveis de cozinha e a menor em salas. O segmento infantil registrou deflação.

 

Dez estados são pesquisados mensalmente pelo IBGE. A maior inflação no ramo de móveis ocorreu em Curitiba, com mais de 10 por cento e Salvador registrou deflação com -0,55%.

 

A vingança chinesa vai afetar fábricas de colchões no Brasil

 

A China anunciou que irá cancelar os descontos de reembolso do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) nas exportações de produtos ligados à cadeia de energia fotovoltaica a partir de 1º de abril de 2026. A medida inclui materiais de poliéter utilizados na produção de polióis de poliéter, insumo essencial para a indústria de poliuretano.

 

Segundo o comunicado oficial que revisa a política de reembolso do IVA, a regra aplicável será definida pela data de exportação declarada na documentação alfandegária. Na prática, embarques realizados a partir dessa data já estarão sujeitos às novas condições fiscais, sem o benefício do reembolso.

 

No Brasil, o impacto é direto sobre as fábricas de colchões que dependem de poliol de origem chinesa. Essas empresas já vêm enfrentando sobretaxas impostas pelo governo brasileiro sobre o produto e, agora, devem lidar com um novo aumento de custos a partir de abril de 2026, pressionando ainda mais margens, preços e competitividade da indústria nacional.

 

Assista ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi clicando no player acima.

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