pesquisa_latam.png

Pesquisa da Latam Retail Show mostra o futuro do varejo

Qual o futuro do varejo, quais as tendências e qual a visão a respeito da economia? Estas questões foram feitas para representantes de 155 empresas de diversos setores do varejo em agosto. O que mudou em relação a percepção colhida no mesmo período ano passado? Muito pouco. Chama a atenção precisamente a constância, diz o pesquisador Mauricio Morgado, do Centro de Excelência do Varejo da FGV, ao fazer apresentação da pesquisa O Futuro do Varejo na Visão de Quem Faz, no encerramento do Latam Retail Show, ontem. “O varejista se manteve preocupado praticamente com as mesmas coisas”, sintetizou.

Entre os destaques do estudo, ele cita que a competitividade aumentará, a rentabilidade diminuirá ou ficará igual, a concentração das maiores empresas de vendas ampliará, haverá impacto moderado da pandemia, a política será polarizada, economia incerta, o número de consumidores digitais vai crescer de maneira intensa, bem como o Big data, a Inteligência Artificial e o 5G, e ocorrerá o avanço dos ecossistemas de negócios.

O trabalho realizado em parceria com a Gouvêa Ecosystem, entrevistou fundadores, presidentes e C-Levels de empresas, como redes supermercadistas, de moda, farmácias, mercado de construção, atacado e atacarejo. Além de temas de negócios e economia, a pesquisa tocou em pontos como o atual ambiente político, questões legais, sociais e de tecnologia do setor em relação a primeira edição, em 2020.

Em referência ao ambiente econômico, os dados apontam que os varejistas se dividem quando os assuntos são a confiança do consumidor, o desemprego e o crédito ao consumidor. “O medo dos efeitos da pandemia nos negócios já não é tão forte. Mas há uma certa divisão em relação à confiança do consumidor, justificada pela insegurança sobre renda e emprego”, informa Morgado. Os lojistas estão pessimistas em relação à inflação, que não deve se manter em baixa; taxa de juros, que começa a se elevar; e renda da população, que não deve melhorar. Em 2020, mais de 51% dos entrevistados acreditavam na probabilidade da taxa de juros e a inflação se manteriam em baixa. Agora, os que acreditam em inflação baixa e taxa de juros próximo a zero são 34% e 28%, respectivamente.

Outro dado interessante foi a percepção por 58% dos entrevistados de que a vocação comercial da cidade mudará por causa da redução do fluxo de pessoas, devido ao home office e à educação digital.

leia: LATAM RETAIL SHOW APONTA CAMINHOS PARA O VAREJO

Marcas próprias

Na opinião do CEO do DIA Brasil, Enéas Santana, que participou da pesquisa, o País precisa de estabilidade econômica, emprego e renda. “Com a queda de renda, houve mudança de hábitos do consumidor e redução da cesta. O brasileiro só compra o que realmente precisa porque tem que controlar seus gastos”, enfatiza.

Uma percepção dos entrevistados é a dúvida em relação a marcas próprias e lojas de fábricas. No caso de marca própria, o entendimento é que perdeu um pouco a relevância no comparativo com a edição anterior. Santana, tem outra visão. Ele costuma reservar algumas horas por semana para discutir o comportamento do consumidor, debatendo temas como emprego, desemprego, renda. “A marca própria cria fidelização”, analisa. A média de participação de marcas próprias no segmento oscila entre 6% e 7%. No caso da rede DIA é 30%. “Vamos acelerar e chegar até onde der”, avisa. Desde 2019, a rede é controlada pelo grupo LetterOne.

Em relação ao ambiente tecnológico, a pesquisa apontou que o e-commerce deve representar um terço das vendas, o acesso à banda larga deve alcançar a maior parte da população na opinião de 63% dos varejistas, formas de pagamento instantâneo e os super apps devem ganhar força para 76% e 67% dos varejistas, respectivamente. “O consumidor se permite experimentar as novidades tecnológicas”, afirma Leninha Palma, presidente do Conselho Administrativo da Caedu, que também participou da pesquisa.

leia: RELATÓRIO DIVULGA TENDÊNCIAS DE CONSUMO PARA SALA DE ESTAR

Estratégia para expansão do varejo

Os varejistas estão incorporando mais tecnologia num ritmo muito maior ao surgimento da pandemia, algo que também aconteceu com a busca de oportunidades em novos locais para expandir seus negócios. Descobriram novas formas de se conectar com os consumidores e de uma maneira mais assertiva, e investiram em novas experiências para encantá-los – até porque o comportamento do cliente também mudou. O varejo evoluiu, está mais eficiente, mas uma parte sofreu com os lockdowns, e uma parcela foi arrastada para o abismo.

Estes são os principais pontos retirados do painel Estratégia de Expansão de Empresas do Varejo, coordenado por Jorge Lizan, Maneger Director da Lizan Retail Advisors, empresa de consultoria. O encontro contou com a participação de Javier Pelayo, vice-presidente de Desenvolvimento Corporativo da plataforma espanhola Jeff, Taddeo Bruno, Global Franchising Maneger da italiana Kiko, fabricante de cosméticos, Einar Gustafsson, CEO para as Américas e Europa da Gang Chá, de Taiwan, e Barry McGowan, CEO da rede de churrascaria Fogo de Chão.

Esta notícia é sobre a sua empresa? se cadastre e deixe seu contato

Você já conhece e segue nossas redes sociais?