A impressionante alta na venda de móveis é apenas uma bolha?

Em pouco mais de seis meses passamos de uma expectativa positiva do ano para o desespero de uma pandemia como jamais se viu na história recente e da possibilidade de uma quebradeira geral para uma euforia inimaginável.

E pouco tempo para digerir tais estágios. Então, não é demais a confusão que se estabeleceu no setor moveleiro.

Pesquisas feitas em março e abril mostravam fabricantes de móveis e colchões acreditando em perdas de até 80% do mercado em 2020. É claro que isso refletiu negativamente em toda a cadeia.

Mas, com a quarentena ocorreu um novo fenômeno: as pessoas em casa começaram a perceber que o mobiliário não era adequado, não proporcionava conforto. A falta de atenção com a própria casa como local de bem-estar é histórica e só a pandemia do coronavírus despertou nas pessoas para a necessidade de melhorar seu habitat.

E veio a surpresa. Lojas fechadas, o consumidor foi para a internet, aliás, em isolamento vivia na internet e sobrou mais tempo para procurar por móveis melhores do que os que tinha em casa. E o e-commerce de móveis explodiu. As lojas reabriram e as vendas continuaram em níveis muito altos.

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É claro que tal movimento inesperado provocou desabastecimento da cadeia. Procurar culpados parecia natural, afinal vender é preciso e, agora, quando o consumidor quer comprar, as indústrias não têm para vender...

Mas, os mais atentos começaram a se perguntar, se esta demanda é sustentável, ou se estamos vivendo uma bolha que poderá estourar daqui a pouco.

Eles baseiam sua preocupação em alguns fatores: Não se muda tanto em tão pouco tempo; os lojistas estão comprando volumes muito maiores do que compravam até agora (existem casos em que chega a triplicar o volume), inclusive com programações de entregas futuras; estas compras carregam dois riscos: inadimplência e desistência dos pedidos, caso as expectativas de vendas não se confirmem. A preocupação faz sentido.

Neste caso, estamos vivendo uma bolha que não se sustenta, passada esta primeira euforia no consumo.

Mas, vamos analisar a situação sob outro prisma. Só para dar uma ideia, o maior mercado consumidor do País, São Paulo, só registrou queda na venda de móveis este ano nos meses de abril e maio, quando as lojas estavam fechadas.

Desde janeiro as vendas de móveis vinham aceleradas em São Paulo. Naquele mês subiram 32,5%, em fevereiro mais 39,8%, março 18,5%. Em junho retornou com alta de 19,1% e em julho cresceu incríveis 41,5% sempre na comparação com igual mês de 2019. Com isso fechou os primeiros sete meses do ano com alta acumulada de 12,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

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Mas não foi o único mercado com esta sinalização. Em todas as regiões do País as vendas foram muito positivas em julho, inclusive no Nordeste, a região mais impactada pela pandemia. Apenas dois estados preocupam: Ceará e Rio Grande do Sul, que fecharam as vendas até julho com quedas de 30,2% e 10,4%, respectivamente.

Não se trata de uma bolha, pode ter certeza. E a eventual recomposição dos preços no varejo que até agora só alcançou o segmento de colchão, não será um inibidor de consumo. O fato é que existe uma demanda reprimida de cinco anos que precisa ser atendida. E é isso que estamos vivenciando agora.

Cá entre nós, descontados os excessos pra mais ou pra menos de uns e outros, vamos fechar o ano com taxas muito positivas em volume de vendas. Quanto ao lucro, bem, já é outra história. E sobre isso já falamos bastante aqui.

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