Polos moveleiros fazem bem ou mal para os empresários?

Uma pergunta que não quer calar: Polos fazem bem ou mal para os moveleiros?

Apesar de reconhecer a importância dos clusters para o desenvolvimento de pequenas empresas, porque o grupo pode atrair fornecedores, facilitar a capacitação da mão de obra e aproveitar a logística, sou bastante cético sobre as vantagens dos polos moveleiros para a evolução do setor como um todo.

Explico: Temos pelo menos seis polos no Brasil – Bento Gonçalves, São Bento do Sul, Arapongas, Ubá, Linhares e Mirassol. E todos surgiram a partir de empresas âncoras, por isso, exceto em Ubá, as empresas surgentes logo passaram a concorrem entre si. Citei Ubá, porque apesar da família Parma ser pioneira, foi a Itatiaia quem mais estimulou o desenvolvimento do polo, mas continua sendo a única a produzir móveis de aço.

 Logística e atração de fornecedores são os poucos fatores positivos nos polos. Mas, a mão de obra é disputada, os clientes são disputados de maneira mais acirrada porque os produtos são semelhantes e assim por diante. Quem em Ubá não viu, em épocas passadas, alguns lojistas aproveitadores do Rio de Janeiro, fazendo peregrinação no final do mês pela cidade em busca de pechinchas. Resultado? Muitas destas empresas não existem mais. Quem não sabe do leilão reverso que os importadores faziam em São Bento do Sul, em busca de quem fizesse determinado produto pelo menor preço, e muitas delas que davam desconto em dólar, foram vítimas do câmbio e da prática da concorrência predatória e, também, não existem mais.

A concorrência entre os participantes de um polo é mais acirrada do que entre as empresas que atuam fora do polo. E há uma razão para isso. Cada um quer ser melhor do que o outro, maior que o outro. Este é o principal componente que levou a capacidade produtiva muito além do tamanho do mercado. Havia uma ampliação na fábrica do vizinho, era hora de ampliar também. O segmento do vizinho estava bombando, era hora de fazer algo semelhante. Não é por acaso que Bento Gonçalves hoje é reconhecido pelos móveis planejados, Arapongas pelos móveis para sala e por aí vai.

Seria conveniente, já que não dá para mudar as empresas de lugar, e o que está feito está feito, que cada empresário – e vamos reconhecer que tem alguns fazendo isso – mudasse o foco do concorrente para o consumidor; ser mais protagonista na cadeia moveleira, se não puder ser com os atuais lojistas, aproveite o momento e troque de cliente, mas – o mais importante é sair desta pandemia diferente de quando entrou. Se é verdade que o vírus chinês mudou a maneira de pensar das pessoas teremos condições de saber daqui há alguns meses, quando o mercado se estabilizar novamente.

Cá entre nós, estas disputas que se estabeleceram nos polos devem ficar no passado. Hoje, importante é se sentir protagonista e nunca mais se colocar na posição de marisco, se sentindo entre o mar e o rochedo, ou seja, se sentir vítima de fornecedores e lojistas. Sua empresa pode e deve ser muito maior do que isso.

Ah sim, respondendo à pergunta inicial: são indivíduos que fazem o grupo. Os polos podem fazer tanto bem quanto mal, depende de como cada um se comporta dentro dele.

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