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Tem que fazer diferente

Começam a eclodir os movimentos organizados da sociedade civil propondo outra atitude, mais entendimento e respeito aos valores fundamentais da democracia e que permitam minorar as dramáticas consequências geradas pela pandemia.

Antes foi o manifesto dos setores ligados à sustentabilidade e neste fim de semana foram anunciados o Basta e o Estamos Juntos, reunindo grupos organizados em diversos segmentos, com posição apolítica partidária, clamando por uma profunda revisão de atitude por parte dos que nos representam institucionalmente no Executivo, Judiciário e Legislativo.

Cada grupo com um foco mais definido, mas todos alinhados com um pleito de respeito e entendimento. E outros mais virão.

É a sociedade civil saindo do estado de letargia imposto pelo drama da Covid-19, que aqui no Brasil teimamos em piorar o que já seria terrível, pela ausência de entendimento, coordenação e, no final das contas, bom senso.

As consequências envolvem a potencialização dos problemas de saúde da pandemia, com o mercado desestruturado, as finanças públicas e privadas abaladas e nos aproximando do buraco negro no plano político.

Tudo que não precisaríamos neste momento em que se desenhava uma tênue recuperação depois de anos de sofrimento pelos nossos equívocos no plano econômico que nos levaram à maior recessão de nossa história, até então, com perto de 13 milhões de desempregados e 200 mil lojas fechadas. É dramático imaginar que isso foi melhor do que estamos enfrentando agora e iremos ter que conviver.

Até hoje não se conseguiu identificar com certeza o autor da memorável frase “Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa, esperando resultado diferente”, de forma equivocada atribuída à Einstein. Mas o conceito, seja lá quem for o autor, é muito verdadeiro.

Estamos há anos no Brasil desperdiçando tempo e muito recurso para potencializar o que temos de melhor. E o que temos obtido é o pior em termos de desigualdade, corrupção, desperdício generalizado, perda de talentos, pobreza e instabilidade.

Em boa parte, porque os poderes institucionais, Executivo, Judiciário e Legislativo, insistem em ter agenda própria, muitas vezes divergente das prioridades da sociedade civil.

Enquanto o setor privado – a parte que cria riqueza, renda e emprego nessa sociedade – não se fizer representar de forma organizada e estruturada para equilibrar essa equação, a situação tenderá a se manter. Não tem como obter resultado diferente, fazendo a mesma coisa há tanto tempo.

E não podemos chegar perigosamente à beira do abismo ou do buraco negro para começamos a nos manifestar publicamente com convocações, chamamentos e apelos.

É preciso repensar de forma estrutural a representação do setor privado em termos supra setoriais e regionais, por sua responsabilidade na geração de emprego e renda e, consequentemente, de bem-estar econômico e social, para equilibrar o que hoje está estruturalmente desequilibrado.

Ou o setor privado se dá conta disso e muda sua forma de agir, estruturar e posicionar, ou continuaremos vivendo, perigosamente, à beira do precipício. E agora não adianta lamentar.

 

Por Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza

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