Startups x indústrias de móveis, uma relação sem equilíbrio

MadeiraMadeira foi lançada em 2009 como uma startup dedicada à venda de pisos de madeira. Em 2012 a empresa recebeu aportes de US$ 38,8 milhões de dólares de três fundos de investimentos e ampliou o escopo de atuação, contemplando também o comércio de móveis e decoração.

Em 2019, novo aporte liderado pelo Softbank, de US$ 110 milhões de dólares foram utilizados para desenvolvimento de tecnologia, logística e experiência do cliente, como explicou Daniel Scandian, fundador da MadeiraMadeira. No ano anterior, 2018, a empresa teria faturado R$ 515 milhões.

E no último dia 7 de janeiro a empresa anunciou mais US$ 190 milhões de dólares em uma rodada de investimentos, liderada pelo SoftBank agora com a Dynamo.

Depois de US$ 338 milhões em aportes, com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão de dólares, MadeiraMadeira se tornou o 14º unicórnio brasileiro. “Com este novo investimento, estamos aumentando o nosso compromisso com a visão de criação de valor de longo prazo da MadeiraMadeira, uma vez que a empresa consolida a sua posição de líder no mercado”, diz Paulo Passoni, sócio do SoftBank, banco que já fez dois aportes na startup.

Como já é hábito no setor, a empresa não informa o faturamento, mas, sabendo que a Mobly faturou em 2020 cerca de 560 milhões, conforme informou no prospecto apresentado para abertura do capital na Bolsa, é possível concluir que a MadeiraMadeira esteja acima disso.

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E assim como a Mobly, que acumulou prejuízos líquidos consecutivos de 2017 a 2019 na casa de 16,6 milhões, a situação da MadeiraMadeira não deve ser diferente, afinal ambas concorrem diretamente entre si. E ambas seguem o mesmo caminho. A Mobly já protocolou seu pedido de IPO e a MadeiraMadeira, como disse o principal investidor, está criando valor de longo prazo, digamos, uma etapa necessária para atrair acionistas na abertura de capital.

Cá entre nós, são negócios, tocados à custa de aportes de recursos que visam retorno deste investimento via abertura do capital. Normalmente alavancados, são agressivos em preços porque importa mais aumentar as vendas do que gerar lucro, pelo menos até atingir o ponto ideal para uma IPO e pagar os investidores. Depois precisam garantir retorno aos acionistas e a pressão por menores preços dos fornecedores vai continuar, isto é a relação vai continuar desequilibrada. Por isso insistimos que a pulverização das vendas continua sendo a melhor receita para as indústrias.

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