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Varejo e Consumo: cautela e prevenção sem pânico ou histeria

Não dá para fugir ao tema em tempos do COVID-19. Especialmente porque o assunto tomou proporções tais que domina as conversas reais ou virtuais. E traz consequências para além do indesejável.

Não vamos repetir o óbvio que tem sido exposto à exaustão. O vírus gerado na China tem alto grau de disseminação, porém com nível de letalidade muito inferior aos anteriores, a SARS e a gripe aviária. E essa letalidade, por razões óbvias é maior para pacientes de maior faixa etária e com alguma forma de fragilidade física. E sua propagação ocorre com maior incidência em temperaturas mais baixas, já que tem menor resistência ao calor.

Mas o que temos assistido nas últimas semanas é uma escalada sem precedentes, para o bem ou para o mal, de ações, reações, manifestações e decisões, que tornaram o vírus responsável por brutal impacto na economia e no comportamento das pessoas e da sociedade. Para o bem, pois sensibiliza e gera cautela e ações de prevenção. Para o mal, pois cria um clima de pânico e histeria que trava muita coisa e para muito além do que o necessário.

E de fato é muito difícil neste momento estabelecer os limites e fronteiras entre bom senso, cautela, prevenção, pânico e histeria. Ficou tudo muito fluído e volátil e propor o caminho do equilíbrio e bom senso com profunda análise de todos os fatores, não exacerbando reações, mas não minimizando consequências, está realmente difícil.

Virou uma guerra e, como se sabe, na guerra a primeira vítima é a verdade, especialmente quando a arma digital é usada indiscriminadamente.

A ninguém é dado o direito de ser insensível ao tema, às necessárias cautelas e ações de prevenção e subestimar os riscos envolvidos. Mas daí a travar o mundo como estamos assistindo vai uma importante distância.

Os males já estão gerados e estão entre nós. Mas, como sabemos em situações como essa sempre existe um aproveitamento econômico e financeiro por quem pode se aproveitar. Uma análise, tangenciando ao singelo, indicaria que as reações estão desproporcionais aos fatos estatísticos, para os que consideram analisar tudo à luz dos números. Mas é fácil analisar quando ainda não se tem alguém próximo diretamente afetado pelo problema.

Mas não se pode negar que tudo isso torna o jogo muito mais complexo e só os muito preparados, informados e instrumentalizados conseguem ganhar. Ou no limite, perder menos.

A realidade aí está. Já estamos vivendo uma recessão econômica por conta do COVID-19 cujas dimensões, consequências, duração e extensão tornaram-se, de fato, neste momento um exercício de quiromancia. As reações geram mais reações que exponenciam outras reações numa escalada cujo ponto de inflexão em sua curva de crescimento ocorre no momento que o grau de crescimento real estabiliza com tendência de queda e o tema perde interesse mediático.

Na China, como referência, isso teria acontecido num período em torno de três meses influenciado pela variação climática sazonal. Nos demais países do hemisfério norte, às vésperas do período mais quente, pode ter comportamento diferente, dependendo das ações de prevenção.

Especificamente no consumo e no varejo determinadas categorias e produtos serão beneficiados, produtos de limpeza, higiene e cuidados pessoais, ou prejudicados, pelas mudanças de hábitos. Lojas físicas e centros comerciais podem ser mais prejudicados, os canais digitais podem ser beneficiados, foodservice, “on premise”, ou no local, pode ser prejudicado, delivery é beneficiado,

Ainda nesse capítulo turismo, viagens, hospitalidade, lazer e eventos são prejudicados enquanto consumo de mídia cresce.

Para agravar um pouco mais todo esse quadro está lançada uma guerra comercial envolvendo os preços de petróleo cujas consequências de curto prazo envolvem a redução valores por barril com fortes impactos, positivos e negativos, na economia de diversos países produtores e consumidores.

Sem falar que no Brasil ainda temos que nos reposicionar com as potenciais consequências, ameaças e oportunidades, geradas pelo Big Bang Financeiro, ou seja, a combinação ao longo de 2020 das mudanças envolvendo Open Banking, Cadastro Positivo, LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados, Introdução da Regulamentação dos Pagamentos Dinâmicos, tudo isso num ambiente recém-configurado de Taxas Reais de Juros próximos à zero. Ou negativas.

E tem um outro beneficiário de todo esse processo: haja ansiolítico. Fica a dica!

 

Artigo escrito por:

Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza, membro do IDV, do IFB, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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