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Venezuela, risco-país e o custo a quem não confronta nem lidera

Por Natalia Concentino - 08 de Janeiro 2026

Na primeira edição do Cá Entre Nós de 2026, Ari Bruno Lorandi faz uma análise sobre um dos assuntos mais importantes deste início de ano: a intervenção dos Estados Unidos sobre o governo da Venezuela. Mas, o apresentador procura mostrar um outro ponto que deve ser observado, que vai muito além do ponto de vista ideológico. “O que importa é outra coisa: o ambiente institucional colapsou muito antes da crise explodir. A Venezuela não virou um problema de um dia para o outro. O que aconteceu ali foi um processo clássico de deterioração institucional: captura de Judiciário, enfraquecimento da oposição, eleições esvaziadas, insegurança jurídica crescente. Quando isso ocorre, o capital reage primeiro. Depois vêm a fuga de empresas, a escassez, a migração em massa. O desfecho político é só o último capítulo”, enfatiza.

 

Lorandi afirma que a Venezuela deixou de ser apenas um problema doméstico e passou a integrar um jogo geopolítico maior, que envolve energia, território e influência regional. “E quando um país vira peça estratégica, a lógica muda. Não se discute mais valores — discute-se poder. Isso vale para governos, mas também para mercados”, observa.

 

Em seguida, o apresentador fala sobre qual a relação disso tudo com o nosso país. “O Brasil passou anos tentando sustentar uma posição confortável de ambiguidade: nem se posiciona claramente, nem confronta, nem lidera. Em um mundo mais previsível, isso funcionava. No mundo atual, isso aumenta o prêmio de risco.

 

Risco-país não nasce só de números fiscais ou inflação. Ele nasce, sobretudo, de percepção institucional. Investidor observa estabilidade, previsibilidade, respeito a contratos e alternância de poder. Quando essas variáveis ficam nebulosas, o capital não espera discurso — ele vai embora.

 

A Venezuela é o exemplo extremo do que acontece quando instituições são corroídas por dentro. Mas o alerta não é exclusivo. Toda democracia que flerta com relativizar regras, atacar freios e contrapesos ou tratar oposição como inimiga entra numa zona perigosa — inclusive do ponto de vista econômico.

 

Empresários sabem disso melhor do que ninguém. Não existe crescimento sustentável sem confiança institucional. Não existe investimento de longo prazo sem regras claras. Não existe ambiente de negócios saudável onde o poder se torna absoluto”.

 

O comentário completo você confere no player acima.

 

NOTÍCIAS

 

Governo americano adia aumento de tarifas sobre móveis

 

O presidente Donald Trump assinou uma proclamação, na véspera de Ano Novo, adiando por um ano o aumento previsto das tarifas sobre móveis estofados, armários de cozinha e pias de banheiro, enquanto as negociações comerciais com os principais parceiros continuam.

 

A ordem, assinada dia 31 de dezembro, mantém em vigor a tarifa de 25% imposta em setembro sobre esses produtos importados, mas adia aumentos mais acentuados que entrariam em vigor em 1º de janeiro.

 

leia: Entre desassossego e esperança: um pacto para 2026

 

Moveleiros entre o choque de 2025 e a reorganização em 2026

 

Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel, fez uma análise sobre o ano de 2025 na indústria moveleira em que o definiu como um choque extremo que forçou a indústria a recalibrar suas operações e expectativas. “A trajetória do setor sofreu uma mudança brusca após o segundo trimestre de 2025, impulsionada por alterações na política comercial dos Estados Unidos — o maior destino das exportações brasileiras. A insegurança gerada por novas tarifas levou a um pico artificial de atividade, com empresas antecipando embarques antes que as medidas entrassem em vigor. Entretanto, esse fôlego inicial foi seguido por um cenário de estoques elevados e interrupção de contratos”, avaliou.

 

O presidente da Abimóvel também lembrou alguns números do setor correspondentes ao período de janeiro a outubro de 2025 que refletem essa realidade:

 

  • Produção e Consumo: Tanto a produção de móveis e colchões quanto o consumo interno recuaram 0,4% no acumulado do período.
  • Varejo: A demanda interna caiu 4,5% em volume, prejudicada pelos juros altos, falta de acesso ao crédito e baixa confiança do consumidor.
  • Exportações: Embora tenham crescido 1,5% no total, a participação dos EUA nas vendas externas caiu de 29,5% para 24,3%.

Segundo Irineu Munhoz, essa retração resultou em ajustes severos nas fábricas. “Isso incluiu redução de jornadas e paralisações de linhas, especialmente em polos exportadores que dependiam de produtos customizados para o mercado americano”, revela. 

 

Munhoz citou ainda que a Abimóvel defende medidas estruturantes para estimular a demanda por móveis, como a inclusão definitiva do mobiliário em programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida.

 

Já em relação ao cenário internacional, o presidente da Abimóvel acredita que o alívio provocado pela manutenção até janeiro de 2027 das tarifas atuais de importação nos Estados Unidos é temporário. Isso garantiria uma breve janela de previsibilidade, nas palavras dele.

 

ENTREVISTA

 

Ari Bruno Lorandi também buscou a opinião da Abicol sobre os resultados de 2025 e quais as expectativas dos colchoeiros para este ano. Adriana Pierini, diretora-executiva da entidade concedeu uma entrevista sobre os assuntos.

 

A primeira edição de 2026 do 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi já está disponível na íntegra no nosso canal do YouTube e você pode conferir clicando no player acima.

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