Por que viraram o setor de cabeça para baixo?

As vezes somos atropelados pela velocidade com que as coisas acontecem. E agora fica difícil concluir se o que parecia ÓTIMO ainda está pelo menos RAZOÁVEL.

Veja se eu tenho razão:

O Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas, cresceu 8 pontos na passagem de agosto para setembro deste ano, o maior nível desde janeiro de 2013.Este é um dado muito positivo, porque mostra que os empresários acreditam que o pior já passou. Mas, quando a indústria respira, sempre surge uma notícia que traz uma certa apreensão. É o caso da informação sobre novas promoções do varejo, claro, com descontos.

Há 15 dias terminou a Semana do Brasil. Nem bem desembarcou no Brasil com mega Centros de Distribuição, a Amazon anuncia o Prime Day, que acontece dias 13 e 14 deste mês e no final de novembro tem a Black Friday. Tudo isso é um exagero, mas não fica por aí: Agora está ocorrendo o Feirão Santander de móveis, revestimentos e decoração, chamado Decora+, com descontos de até 50%. Segundo se sabe, são mais de duas mil lojas em todo o Brasil e o banco oferece parcelamento em até 24 meses, com a primeira parcela para janeiro de 2021.

É um calendário sem sentido. Todos os eventos acontecem quando as vendas são naturalmente estimuladas pelas festas de final de ano e para piorar, agora as indústrias não estão dando conta de entregar os pedidos.

O que imaginam os organizadores destas blacks Fridays da vida? Que a indústria é quem vai pagar a conta de novo? Sem chance, imagino eu!

leia: inmetro libera geral e quem perde é o comprador de colchão

E como desgraça pouca é bobagem, agora começaram a se intensificar os aumentos abusivos de preços. Tem empresa de embalagem de papelão em Minas Gerais com aumento de 70%; outra, fornecedora de espuma, informa os clientes que o aumento até o dia 15 de outubro vai superar os 40%.

Então, é melhor pisar no freio da produção, ajustar a velocidade à oferta de matérias-primas. Afinal, nós sabemos qual o lado que tem mais dificuldades de repassar custos, não é mesmo?

E as decisões absurdas do Inmetro com as novas regras para fabricação de colchões? Vou citar apenas dois ou três exemplos absurdos da avaliação de colchões, considerando questões de Segurança e Saúde e de Prática Enganosa de Comércio.

Densidade inferior da espuma, encontrada em 28% dos ensaios realizados em laboratório, para o Inmetro é considerada dano pequeno ao consumidor, pois, diferentemente de um eletrodoméstico com baixa eficiência energética, que continua dando prejuízo ao consumidor ao longo de seu uso, o colchão que apresenta esse tipo de falha causa um prejuízo em um único momento (o da compra)”. O Inmetro não considera relevante o dano à saúde provocado durante todo o período de uso do colchão, mas se preocupa com a economia de energia elétrica.

Um colchão que se deforma por perda de suporte da espuma, acontece, segundo o Inmetro, porque o biotipo do usuário influencia. E normalmente este problema não necessita de atendimento médico, e os danos são reversíveis.

O Inmetro liberou geral e você pode ver o relatório completo no nosso site, no endereço que aparece na sua tela.

O que o Inmetro está fazendo é liberar os maus fabricantes para produzir colchões sem qualidade, prejudicando a imagem do setor, e das empresas que prezam pela qualidade muito acima das Normas Técnicas.

Uma atitude lamentável do Inmetro e que dificilmente será revertida, embora o empenho da Abicol para conseguir reverter.

Cá entre nós, por que viraram o setor moveleiro de cabeça para baixo? Afinal, quem virou a gente já sabe.

Como diria Raul Seixas: pare o mundo que eu quero descer.

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